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Escritos do Frei Rui

Velho Pinheiro

Velho Pinheiro

Frei Rui Guido Depiné o.f.m

De galho em galho, perde o velho pinheiro a sua ramagem.

Fica o tronco secular sempre mais despido.

Raios, trovões, vendavais castigam a paisagem.

O velho pinheiro mais alto é mais sacudido.

Nascera ali há quase três séculos entre a folhagem.

Hoje assombra a encosta mais envelhecido.

Vai perdendo a batalha mesmo na aragem.

Até um dia ter-se completamente exaurido.

O velho pinheiro levanta seus braços a Deus.

Seu corpo sente a fragilidade de todos os mortais.

Há um momento fatal. Não importam quantos jubileus.

O tronco colossal arqueia, range, estala por demais.

Ouve-se o fragor de um dragão forasteiro.

E para sempre descansa em paz o velho pinheiro.