Escritos do Frei Rui
Prece da Amizade
Prece da Amizade
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Muito obrigado, Senhor, pelos amigos que me deste. São tantos que até perdi a conta. Representam para mim o melhor da minha vida. Valem mais do que o ouro e a prata. Toda a riqueza, toda a fortuna do mundo não compram um amigo. Amigo também não nasce pronto. É preciso cativá-lo. E eu tenho tantos amigos. Graças a eles estou tão feliz. Meu mundo seria tão pobre sem meus amigos. Devo a ti, Senhor, o privilégio desta amizade. Foste tu, Senhor, que formaste esta ponte e uniste as duas margens: Eu e Eles. Fundamentos sólidos, porque nem o tempo, nem os males, nem a distância destruíram nosso convívio. A felicidade, Senhor, que criaste em cada um de nós, tornou-se fonte permanente de vida, que transborda de um para outro. Senhor, por que surgiu esta amizade? Como surgiu? Não sei. No meio do turbilhão de tantas circunstâncias e no meio de bilhões de pessoas desconhecidas, nós nos encontramos e nos tornamos amigos. Tudo foi surpreendente e misterioso, sem esquemas, protocolos ou cálculos premeditados. Nasceu como nascem as flores do campo. Só tu, Senhor, o sabias desde toda eternidade e sabes a razão última destes sentimentos da alma humana. Senhor, esta surpresa e esta alegria me fazem olhar para ti de forma diferente. Agora entendo a tua sabedoria “quem tem um amigo tem um tesouro”, “o verdadeiro amigo dá sua vida pelo amigo”.
Senhor, te peço mais um pouco. Como fazes despontar a aurora a cada dia, as estrelas a cada noite, renove a cada segundo o vigor desta amizade, para que seja eterna.
Senhor, se algum amigo magoei, perdão!
Se algum amigo morreu, Deus o acolha!
Se a outro desiludi, Deus o ajude!
Se outro, ainda, foi embora por minha causa só me resta pensar mais a vida, procurar entender e crescer...
Senhor, te peço uma última coisa: faça com que meus amigos verdadeiros sejam firmes como a rocha. Fascinantes como a pedra preciosa. Simples como os pardais. Prodigiosos como a semente que germina e floresce em cada primavera e transforma o campo agreste, em dourados trigais.
Muito obrigado, Senhor, pelos meus amigos.