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Escritos do Frei Rui

O Trem das 8

O Trem das 8

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

De quando em quando vem o trem.

Será das bandas de Antonina?

Ele ronca, ele uiva, ele vai, ele vem.

Deve ser o trem de Maria Cristina.

Vem bufando, vem gemendo como um leão feroz.

Mordendo os trilhos de aço.

Rompendo a mata, sempre mais veloz.

Sacudindo tudo, devorando o espaço.

É o trem; é o trem de Antonina.

Será o Trem de Maria Cristina?

Depois, lentamente, anda o trem.

Perde a força do furacão.

Ele vai, ele vai, ele vem.

E bem de mansinho para na estação.

Engraçado este trem de Antonina.

Desafiando a montanha, o mundo, o além.

Não deve ser o trem de Maria Cristina.

É ela mesma. O incêndio acabou. Amém.