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Memórias

O Segurança Particular do Frei Rui

Histórias do Frei Rui

O segurança particular do Frei Rui

Seu nome era Daniel. Com problema cognitivo e um pouco de dificuldade motora, foi abandonado pela família no Hospital São Roque quando era criança. Hospital São Roque, atual Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná.

Aquele era o seu lar. As Irmãs eram suas mães. E o Frei Rui, ele tomou como pai. E um pai que precisava ser protegido.

Apesar de ter uma estatura pequena, ele conseguiu uma espécie de farda e um apito. Colocava-se na defesa do Frei Rui e das Irmãs. Era um segurança particular.

Quando a Irmã Inês ia no Carrefour fazer compras para a casa, ele ia junto e ficava tomando conta da Kombi. E ninguém chegava nem perto...

Nos finais das Missas, sempre tinha muita gente querendo falar com o Frei Rui. Pois o Daniel colocava-se à frente da multidão tentando dispersa-los: Falava: “O Frei tá muito ocupado, vão embora. O Frei não pode atender tanta gente. O Frei precisa descansar...vão para suas casas...”.

Ele fazia um gesto passando a mão pelo pescoço e dizia: “O Frei está por aqui de serviço! ”

Mas, sendo muito conhecido por todos, não conseguia seu objetivo. Ficava lá de “guarda” enquanto o Frei Rui atendia todo mundo.

Aos sábados, no final das Missas, o Frei ia levar a Comunhão para os doentes. Durante um bom período de tempo, era o Daniel quem acompanhava o Frei. Levava em uma mão uma luminária com vela e, na outra, o sino. Entrava no Hospital batendo o sino e avisando em tom alto: “Silêncio, olha o Padre!”.

Faleceu no Hospital.

Era um anjo com farda e apito. Hoje deve estar no céu, tentando fazer a segurança de um outro anjo chamado Frei Rui.