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Escritos do Frei Rui

Natal de Luz e de Paz

Natal de Luz e de Paz

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

Dois mil anos se passaram.

O mundo ainda celebra o Natal.

Por que celebrar o Natal? Que Natal?

O Natal da Bíblia e o Natal do vazio existencial feito só de coisas.

O Natal cristão e o Natal pagão.

O verdadeiro Natal e o Natal de fachada.

O Natal será sempre maior do que todos os símbolos e arranjos natalinos.

É um acontecimento tão grandioso que mudou a contagem da História Universal: Antes e depois Dele.

Os homens não têm a capacidade de celebrar tudo o que é o Natal, por isso, os anjos o fazem: “Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade.”

Paz na Terra... Como seria o mundo sem nenhuma arma?

O povo da Bíblia esperava ansiosamente por um Messias. Ele estabeleceria a Paz. Era mentalidade judaica, que Ele viria ao mundo nascendo na cidade de Jerusalém, centro de todas as decisões.

Jesus nasce em Belém, cidadezinha pacata do interior, sem importância nenhuma aos olhos do mundo.

Dizia-se que o Messias nasceria no Templo coberto de ouro e pedras preciosas.

Ele nasce numa estrebaria que servia de abrigo aos animais do campo.

Dizia-se que o Messias seria alguém todo poderoso, invencível e conduziria seus exércitos com mão de ferro.

Jesus nasce como criança pobre, frágil, humilde, pequenino e dependente de tudo e de todos.

Sabe que a vida passa pelas coisas do mundo.

Assim é o Deus do Natal, o Deus que se deixa ver, tocar, acariciar, sentir, embalar, contemplar, ninar e amamentar.

Quando adulto se deixaria injuriar, trair, julgar, torturar, condenar, crucificar e matar.

O Deus do Natal está ali no chão da gruta.

O mesmo chão que todos nós pisamos.

Ele está junto de Maria e de José.

Ele olha, ri, chora, gesticula, dorme, acorda e vai se ajeitando nos braços de “seus pais”.

Ele veio ao mundo na contramão da História e vai se revelando o Senhor da Vida.

Ele é o centro da História da Salvação.

E o nosso Natal?

Certamente tem muito de Maria e José.

Que nunca seja feito só das coisas deste mundo:

De imagens que quebram a toa.

De pinheirinhos muito verdes, todos enfeitados, mas que não tem vida própria. Por que? Por que são de plástico.

Que o nosso Natal não seja como o brilho da luz de néon, ou dos pisca-piscas importados que facilmente circuitam e se apagam para sempre.

Que o nosso Natal não seja como a estrela de isopor, que o vento leva e estilhaça.

Amigo, mais importante que todos os Natais que já passaram, são os Natais que juntos ainda podemos celebrar. Nada no mundo nos impede de celebrar o Natal. Nada no mundo nos impede de sentirmos o Natal: nem a violência, nem a injustiça e nem o pecado.

Não esqueça nunca que um dia será o Natal pela última vez.

Obrigado, Senhor, por mais um Natal de Luz e de Paz!

Frei Rui Depiné o.f.m.