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Escritos do Frei Rui

Morte

Dois de novembro de 2021. Dia de Finados. Quanta lembrança e quanta dor nesta data. Nós vamos aos cemitérios, lembrando os entes queridos que já partiram. Mas as palavras do Frei Rui sempre nos consolam e nos fazem refletir. Para nós, Católicos, Cristãos, a morte não existe. Cristo ressuscitou e com Ele, um dia, estaremos no Paraíso.

Paz e Bem!

Morte

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

2011

Saudação Franciscana

Um dia esta vida será o depois desta vida.

A morte num determinado momento irá bater na porta da nossa casa. Nos fará chorar porque vai nos separar. É um fenômeno universal que atinge todas as formas de vida.

A vida não só convive com a morte, não só pensa na morte – fala da morte – não só conhece a morte, mas, passa obrigatoriamente pela morte. O tempo se encarrega deste acontecimento.

Seremos despojados de tudo e tudo ficará para trás. A morte como o adeus a esta forma de vida. Como a ausência definitiva neste mundo. Quem partiu, partiu. Quem ficou, ficou. Da eternidade para cá não tem mais volta. Tudo é mistério.

Convém lembrar que a morte não está longe de nós, fora de nós, distante de nós, mas dentro de nós. A morte coabita com a vida. Disse um sábio que a vida e a morte são como duas linhas de trem: caminham paralelas, mas no final se encontram. Disse outro sábio que a morte não tem preferência por ninguém, porque está todo mundo na vez.

Disse o poeta que a vida é como a poeira da estrada: o vento leva. Não há nada neste mundo que possa impedir o final desta vida. Nem fortuna – poder – fama – prestígio, nem sabedoria e nem espiritualidade.

Podemos pensar em Deus noite e dia. Podemos saber a Bíblia de cor. A morte nos espera em qualquer ponto do planeta, em qualquer canto deste mundo. E por melhor que seja alguém, chega o dia em que ele há de faltar. Seja o pai, a mãe, o irmão, a irmã, o filho, a filha, um parente ou um amigo. Um dia ele há de faltar.

Como, quando, onde haveremos de fechar os olhos para sempre, só Deus o sabe.

A Igreja no passado tratou muito mal a morte.

A morte como castigo.

A morte como fruto do pecado.

A morte como punição.

A morte como condenação.

E no Juízo Final onde aparece muito mais a ira de Deus do que sua misericórdia.

Jesus Cristo não pecou e morreu.

A morte é algo natural. É inerente a vida.

Impossível alguém viver sempre neste mundo.

Jó teve uma visão bela da morte. Abandonado por todos, coberto de feridas, esperando a morte ele exclama: “Ah! Quem me dera que as minhas palavras fossem escritas na pedra, no chumbo, e no bronze com um estilete de ferro”. Que palavras. “Eu sei que o meu Redentor vive. Ele será o último dos viventes a vir ao meu encontro quando a minha alma se desprender do meu corpo, eu O verei não mais com os olhos da fé, mas, face a face.”

São Francisco tem uma visão grandiosa da vida: “Felizes aqueles a quem a morte encontra conforme a vontade de Deus, a estes não fará mal a morte corporal.”

Que sentido deu Jesus Cristo a morte? Deu o sentido da vida – da Páscoa – Ressurreição.

Jesus não permanece cadáver. Vence a iniquidade humana e vivo devolve a José de Arimateia o sepulcro emprestado.

Para o mundo pagão a morte é o fim de tudo.

A vida com toda sua beleza, grandiosidade e mistério se reduz a um cadáver – sepultura – jazigo – cemitério e nada mais. Deus não significa absolutamente nada. Com a morte, tudo acabou. Isto para o mundo pagão.

Para os que creem, Jesus Cristo é o porta-voz desta Boa Nova; a vida não tem só passado e presente. A vida tem futuro. O maior de todos os sonhos humanos se cumpre: o homem pode vencer a morte e viver para sempre.

Disse Jesus: todo aquele que crê em mim, ainda que esteja morto viverá para sempre.