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Escritos do Frei Rui

Lindaura Linhares Kintopp

Certa vez um rapaz, com problemas de drogas pediu dinheiro ao Frei Rui para comprar um remédio. Ele deu ao rapaz o dobro que valia tal medicação. A voluntária que estava trabalhando com ele questionou sobre a quantia, pois o rapaz poderia gastar com drogas. O Frei Rui respondeu:

- “Eu fiz a primeira parte dando o dinheiro para o remédio e a sobra para alimentação. A segunda parte: rezarei por ele. A terceira parte: você buscará uma Instituição para encaminhá-lo, se for o caso”.

Este era o Frei Rui.

Abaixo apresentamos o depoimento completo de Lindaura Linhares Kintopp, a voluntária que nos contou este episódio e vários outros que mostram a sabedoria do nosso saudoso amigo Frei Rui que, a exemplo de Jesus e São Francisco, não julgava ninguém e ajudava a todos.

Frei Rui, sua bênção! Saudades.

‘SIM. VAMOS! ”

Depoimento de Lindaura Linhares Kintopp: a discípula.

Há 34 anos passados juntei-me ao grupo de amigas da Sra. Cleonice Stephan para ser voluntária no atendimento das famílias de hansenianos nos arredores do, até então, Leprosário São Roque, em Piraquara – PR.

Quando então me levaram até a casa das Irmãs onde conheci um Santo homem de Deus: Frei Rui.

Rezou conosco o Pai Nosso, a oração, e deu-nos a bênção de São Francisco.

Cativou-me pela sua luminosidade e simplicidade, mas muito sábio.

Aí comecei a conhecer o pleno sentido das palavras: oração, humildade, caridade e persistência; que no decorrer do tempo, ajudando-o em suas ações, fui sentindo cada vez mais esta força interior que só poderia vir de Deus.

Vi que ele desconhecia a palavra limite, pois ia sempre além de suas tarefas de ajuda ao próximo, atendendo a todos: fosse este rico ou pobre de bens materiais.

Junto dele vi muita fome saciada, muitos barracos renovados, muitos doentes curados, vestidos e acalentados. Enfim, ia ao encontro de tudo o que aquele povo precisava.

Devido o seu alto grau de simplicidade e de humildade, muitas obras suas não conhecíamos.

Vi muitas obras terminadas e muitas em andamento. Mas em nossas visitas a centenas de lares por toda Piraquara, vimos e ouvimos os seus grandes feitos.

Tinha aparência humilde, simples mas carregava dentro de si uma enorme fortaleza.

Certa vez um rapaz, com problemas de drogas, abordou o Frei Rui com uma receita médica, pedindo-lhe dinheiro para comprar o tal remédio. Piedoso, como sempre, ele deu ao rapaz o dobro que valia tal medicação. Eu que estava trabalhando com ele naquele momento, questionei sobre a quantia, pois o rapaz poderia gastar com drogas. O Frei Rui respondeu:

- “Eu fiz a primeira parte dando o dinheiro para o remédio e a sobra para alimentação. A segunda parte: rezarei por ele. A terceira parte: você buscará uma Instituição para encaminhá-lo, se for o caso”.

Outra vez, após a entrega de cestas básicas nos três bairros atendidos pela nossa ABSR - Associação Beneficente São Roque, Guarituba, Santa Monica e Bela Vista, durante todo o dia, chego cansada ao “oásis” – Casa das Irmãs do São Roque. Quando a irmã Inês me convida para tomar uma sopa. Muito frio, aceitei. Por volta das 18h30 chega o Frei Rui que recebeu de um restaurante de eventos, panelões e panelões de comida ainda quentinha e saborosa. Os panelões estavam na Kombi e precisavam ser distribuídos ainda naquele dia, no Guarituba. Relutei comigo mesma mas, como sempre, o sim:

- “Sim. Vamos! ”

Fui com o meu carro seguindo sua Kombi e entramos no Guarituba buzinando e batendo nas panelas. O povo nos seguiu levando suas vasilhas até a casinha de distribuição, onde se fez fila de mais de 200 pessoas querendo, além do alimento, a bênção do Frei Rui. Parecia a distribuição dos 5 pães de Jesus. Deu para todos encherem suas panelinhas. Conclusão: saímos de lá por volta das 23 horas, mas felizes e satisfeitos. Após, como sempre muito cuidadoso, o Frei Rui seguiu-me até minha casa em Curitiba.

Outro fato que me marcou para sempre sobre a bondade do Frei Rui foi quando em 19/01/1992 perdi minha filha, Claudia Cristina, de acidente de carro.

Estando com toda a família e amigos na Capela do Cemitério Municipal, todos desesperados, adentra o Frei Rui acompanhado da Irmã Inês.

Primeiro fica em silêncio junto à minha filha, depois reza baixinho e depois olha para todos, põe sua mão em meu ombro e reza com todos em voz alta, canta, reza e dá a bênção de São Francisco. Com sua voz tranquila pede aos parentes para segurarem firmes a mão de Deus.

Ficou conosco um bom tempo, conversando e distraindo as atenções.

Após a sua saída senti que, rezando, as pessoas ficaram num ambiente de muita paz.

Frei Rui me deu muita ajuda, por muito tempo, até que eu recuperasse as minhas forças físicas, mentais e espirituais. Amigo e conselheiro de todas as horas. Até que eu consegui voltar ao meu voluntariado, para aquele povo carente de tudo.

Conheço muitas pessoas que saíram do fundo do poço com a ajuda do Frei Rui.

Certa vez um paciente do Hospital São Roque, Sr. Teodósio, precisou ser internado. Tinha vaga no Hospital do Rocio, em Campo Largo. Para lá o levei. Quadro muito grave de pneumonia e outras complicações, lá ficou. Mas em minhas visitas a ele, só o que me pedia, (embora bem atendido lá), que queria morrer no Hospital São Roque e ainda ter uma conversa com o Frei Rui, em quem confiava muito. Considerava o São Roque sua casa, pois que viveu ali muitos anos.

Após alguns dias de alta hospitalar, piorou e pediu que o levasse ao Hospital São Roque. Com a carinhosa ajuda do incansável protetor dos hansenianos, Dr. Hamilton, ali se internou.

Após 2 dias, a pedido do Sr. Teodósio, pedi ao Frei Rui para ir falar com ele. Frei Rui atendeu imediatamente. Ali teve uma longa conversa, deu-lhe a bênção e saiu do Hospital.

Ligou-me e disse: “Lindaura, se você quer ver o Sr. Teodósio vivo, venha logo para cá. ”

Eu já estava a caminho juntamente com a Assistente Social Benedita da ABSR – Asscoiação Beneficente São Roque. Fui até a enfermaria e o que encontrei lá foi um homem morto mas tranquilo. Sendo que seus últimos minutos foram no Hospital São Roque, junto com o Frei Rui, que ele tinha o maior respeito e amor.

Como este, são milhares os relatos que temos de doação deste incrível e carismático Frei.

Hoje o Frei Rui continua levando sua grandiosa ação missionária junto a ABSR da qual faço parte, fundada em 1988 (18 de março), a fim de dar toda assistência necessária ao seu trabalho. Uma vez que o Frei gostava sempre de ir para o campo de trabalho, sem gostar de muita burocracia.

Frei Rui, o Senhor foi sempre meu modelo e inspiração em meu voluntariado: um legado cheio de amor ao próximo.

Ao senhor, Frei Rui, só gratidão por tudo o que me ensinou. Dizendo-me sempre: “dê sempre o melhor de si. ”

Só posso retribuir continuando seu trabalho e dando o melhor de mim.

Paz e Bem.

Casal Walter e Lindaura Kintopp

Frei Rui abençoando presentes que seriam distribuídos para

As crianças carentes de Piraquara no Natal.

Todo ano Geraldo doava o espaço da sua casa para fazer a

Festa de Natal para as crianças em Piraquara.

Festa de Natal na casa do Geraldo – Piraquara

Geraldo

Frei Rui e os voluntários e benfeitores do São Roque: Lindaura e Walter

Kintopp, Helena Kolody, Liliana, Dalila Braga e Cleonice Stephan

Voluntárias/os, benfeitores do São Roque e grandes amigas/os do Frei Rui e das

Irmãs: Helena Kolody, Dalila Braga, Liliane, Dra Isabel, Lindaura Kintopp,

Frei Rui, Dr. Ramina e esposa Regina e Cleonice Stephan.