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Escritos do Frei Rui

Irmã Inês Wiggers revisão 3

Irmã Inês Wiggers

Depoimento de Dra. Isabel Kruger Mendes

Irmã Inês Wiggers se estivesse entre nós, faria aniversário hoje, 18/09.

Nascida em Petrolândia, SC, quando chegou no Hospital São Roque, já havia atuado na Casa da Mãe Solteira, em Curitiba. Formada em Enfermagem, havia decidido ser Freira ainda menina, a partir do contato com as Freiras da Congregação das Irmãs Franciscanas de São José. A Superiora delas era tão boa, uma freira tão afável, compreensiva, que cativou completamente o coração da menina Inês e ela decidiu: seria Freira.

Por quase 40 anos atuou no Hospital São Roque ao lado do Frei Rui Depiné.

Irmã Inês era linda, tinha um rosto sereno, quase angelical e, ao mesmo tempo, denotava firmeza, segurança de sua liderança.

Quando circunstâncias fizeram que houvesse um tipo de separação de ideias e ação entre a Diretoria do Hospital e o Frei Rui, ele demitiu-se. Isto era muito sério. Ficaria sem suporte. Ele fazia as refeições no Hospital. Lavava suas roupas no Hospital. Vivia lá, trabalhava lá e dependia em certa medida destes serviços, para ter tempo de fazer o seu trabalho.

O Frei era Capelão do Hospital e, como tal, era um tipo de funcionário. Como as Irmãs que atuavam como enfermeiras, também eram funcionárias.

Naturalmente eram, antes de tudo, religiosas e religiosos. E estavam em missão.

Mas tinham o vínculo da legislação trabalhista por cuidar do Hospital que era, e ainda é, do Estado.

O Frei demissionário foi um ato heroico, beirando ao perigo, pois manter-se totalmente fiel aos seus ideais e ficar demissionário o deixava vulnerável, à mercê da providência divina para se manter.

Mas... a providência divina nunca falha.

Imediatamente as Irmãs acolheram o Frei Rui completamente. Era uma ação arriscada porque contrapunha com a Direção do Hospital que queria dominar todo processo da ação religiosa.

Mas as irmãs sempre foram corajosas. Não tinham medo. Muito menos a Irmã Inês.

Ele passaria a fazer as refeições na casa delas. Elas também cuidariam das roupas. O Frei continuava cuidando da limpeza da própria casa. Por muitos anos ele foi o único a fazer a limpeza da sua casa. Somente depois de muito tempo, já mais velho, cansado, e sem tempo, ele permitiu que a Rosa o ajudasse.

A partir desta época, o vínculo com as Irmãs, que sempre foi forte, passou a ser imprescindível. Ele reunia muitas pessoas necessitadas. Centenas, toda semana. As Irmãs organizavam as doações e havia o barracão da Irmã Lucila que distribuía as doações.

Vinham muitos benfeitores e voluntários ajudar em todas as situações inerentes à promoção humana, ajuda ao próximo, solidariedade; e todos passavam pela casa das Irmãs. E elas recebiam a todos com um sorriso, com uma palavra amiga, com a casa cheia de arranjos de flores, com um chá, uma sopa.

Todo este clima era o espírito da Irmã Inês. Alegre, inteligente e líder nata, ela era a alma da casa. Abraçava a todos com seu sorriso e senso de humor.

Firme, as coisas funcionavam. Na casa e no Hospital.

A melhor amiga do Frei Rui. A responsável pelo suporte do trabalho do Frei Rui. O esteio dele.

Nas festas que o Frei realizava, reunia centenas de voluntários que iam levar doces e presentinhos para as crianças no Natal ou no Dia das Crianças.

Mesmo na distribuição das cestas básicas feitas mensalmente. Dezenas de pessoas.

E onde todos se encontravam? Na casa das Irmãs.

Quem era a responsável? A Irmã Inês.

Inesquecível este acolhimento.

Muita gente passou por lá e viveu isso. Pessoas que começaram a frequentar o São Roque nos anos 80, 90. Era como se fosse a casa da gente.

Todas as Irmãs dali sempre foram maravilhosas com todos, mas lembramos a Irmã Inês porque era a responsável da casa. E é impossível desvincular o trabalho do Frei Rui do trabalho da Irmã Inês.

São Francisco e Santa Clara.

Sua bênção Irmã Inês! Obrigada por tudo!

Sua bênção Frei Rui! Obrigada por tudo!