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Homilias

Homilia 82 Maria e Isabel

PUBLICADO EM 22/12/2024

Homilia 82

Maria e Izabel

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

O Evangelho de hoje nos mostra o encontro de duas mulheres. Até ali, nada de extraordinário. É uma cena comum pessoas se encontrarem. Estas mulheres têm nome. Uma se chama Maria, outra Isabel.

Uma mora em Nazaré na Galileia, outra numa montanha na Judéia. Moram longe uma da outra quase 300 Km. Uma viagem dessas é cansativa e penosa. É feita a pé. Sol, calor de 40 graus, montanhas, vales, desertos, perigo de salteadores. Quase uma semana de viagem.

Esta visita é importante. Envolve o homem e o divino. O natural e o sobrenatural. Não é piquenique, passeio, passatempo, distração ou um mero capricho humano.

Estas duas mulheres são parentes. São amigas. São duas mães que se encontram.

Ambas esperam um filho que vai nascer.

Eles seriam protagonistas da história da salvação. Protagonistas, mensageiros, arautos de uma nova história.

Um se chamaria João.

O outro Jesus.

Um seria o precursor.

O outro o Messias.

Um reuniria seu povo no deserto.

O outro atrairia multidões onde estivesse. Nas montanhas, cidades, beira-mar, Sinagogas, Templo de Jerusalém, Betânia, etc. Antes de sua vida, em vida e depois de sua vida.

Um exortava seu povo a conversão e a mudança de vida.

O outro fazia estupendos milagres (por sua causa cegos veem, mudos falam, surdos ouvem e mortos ressuscitam).

Um diria do outro: “Não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias”.

Outro diria: “Ninguém nascido de mulher é maior que João Batista”.

Ambos pregam o Reino de Deus.

Os dois são perseguidos, presos, humilhados e condenados.

Um morre decapitado.

Outro, crucificado.

2000 anos depois os dois permanecem vivos na alma do seu povo.

João como o maior Profeta de todos os tempos. Ele liga o Antigo e o Novo Testamento.

Jesus como o Filho de Deus. Ressuscitado dentre os mortos e como fonte suprema de vida eterna.

Maria e Isabel – dois nomes – transformaram-se em símbolo de fé, de coragem, despojamento, e de serviço fraterno.

Elas se entreajudam, elas compartilham.

Elas se dão as mãos. Maria é capaz de fazer uma viagem como quase daqui até São Paulo a pé. E depois tem a volta.

Não para dizer a sua prima que ela fora escolhida para ser a mãe de Deus, dentre todas as mulheres. Ela foi para trabalhar como serva, como empregada, como doméstica. Lá ficou 3 meses (fazendo comida, acendendo o fogo, lavando e cozinhando, varrendo, cuidando da casa, fazendo companhia).

Deus pede tão pouco de nós.

Que trabalhemos também de mãos dadas para o andamento do Seu Projeto e do Seu Reino.

A vida é uma só. Esta é a grande chance.