Homilias
Homilia 540 Cad 38 Sexta Feira Santa
Homilia 540
Caderno 38
Sexta-Feira Santa
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Hoje o mundo inteiro volta os seus olhos na direção da Cruz. Aquela cruz plantada lá no alto do Calvário.
A cruz que lembra o drama do Calvário vivido na Sexta-Feira Santa – nesta Sexta-Feira por Jesus Cristo – o Filho de Deus.
Depois de passar toda a sua existência preocupado com a convivência humana, preocupado com a verdade, a justiça, com a paz – fraternidade, Ele perdeu o direito de pregar, o direito de ensinar, o direito de viver.
Ele não viveu nenhum dia, nenhuma hora, nem um momento para si. Despojou-se de tudo. Nasceu pobre e morreu pobre, por amor. Quando criança ajudou a mãe Maria e trabalhou na carpintaria de José, seu pai.
Quando adulto compartilhou seu tempo, sua vida.
Fez longas caminhadas.
Não tinha mais casa para morar. Deixou sua família. Passou frio, passou fome, passou sede, sentiu a canseira – o calor do deserto. Sentiu medo – sentiu dor, tristeza – chorou de compaixão diante do amigo morto.
Sentiu na alma a inimizade dos outros – o ódio – a traição – a covardia dos prepotentes e foi condenado a morte da Cruz, porque os cegos veem, os doentes são curados, os inválidos caminham, os mudos falam, os famintos são saciados, os pecados são perdoados, os mortos ressuscitam, a luz brilha nas trevas e a Boa Nova da Salvação é anunciada a todos.
Por esta verdade – Ele deve morrer.
Mesmo assim Ele enfrenta o Calvário. E enquanto era flagelado – e morria – Ele perdoava.
E é Ele quem deixa esta mensagem.
“Quem divide sua vida, este está salvo. Quem vive só para si se perde.”
É Ele quem um dia vai nos acordar de nossa sepultura e vai examinar a vida de cada um. Este virá. Este vai chegar. A vida é breve.
“Passarão os céus e a terra mas minhas palavras não passarão.”