Homilias
Homilia 538 Cad 38 Filho Pródigo
Homilia 538
Caderno 38
Filho Pródigo
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Diz um grande escritor Michel Quoist que o maior perigo que ameaça o homem moderno não é a fabricação da bomba atômica, mas sim a perda dos valores morais, espirituais e humanos. O homem está se distanciando cada vez mais de si mesmo – pensando que religião é um problema de Deus – e que Deus é o ópio dos fracos que não sabem vencer com suas próprias forças.
Na medida em que Deus é substituído por novos bezerros de ouro, como o dinheiro, a ganância, o poder; e que acontecem fenômenos terríveis como este: 40 milhões de brasileiros que vivem num país de 8 milhões e 500 mil quilômetros quadrados, se arrastam de lá para cá sem saber onde ir.
São os migrantes que a Campanha da Fraternidade nos fala.
É chegando a beira de trens empilhados de gente. É chegando a beira de caminhões carregados de mudanças que a Igreja faz esta pergunta: Para onde vais?
E o olhar sofrido daquele homem velho, daquele pai, daquela mãe, daquela criança; respondem: “Nós vamos em busca de um pedaço de terra para viver. Nós vamos em busca de um prato de comida. Nós vamos em busca de trabalho. Nós vamos em busca da nossa felicidade.”
O Evangelho de hoje nos apresenta um migrante diferente.
Um jovem que depois de ter recebido a vida, os cuidados, o alimento, a educação, a amizade de seu pai, sua mãe, seu irmão, ele cria tal antipatia pela sua família que decide abandoná-la.
Este migrante não sai em busca de uma terra.
Ele odeia sua terra – ele parte sem rumo, sem direção, sem destino, sem compromissos com ninguém, sem por que. Assim a vida é mais fácil.
Este migrante não busca alimento, ele tem comida de sobra, ele despreza o pão repartido sobre a mesma mesa.
Este migrante não busca trabalho – ele foge da propriedade do seu pai e se torna um vadio, um libertino, um vagabundo, um malfeitor.
Este migrante não saiu em busca de sua felicidade, de seu lar, do seu pai, sua mãe, seu irmão pelo seu egoísmo, pela sua ganância, pela aventura, pela embriaguez, pela prostituição, pela libertinagem.
Quando se substitui Deus pelos ídolos, não se tem mais nada a perder.
O filho pródigo simplesmente deixou de ser gente , filho, irmão, porque ele escolheu, ele preferiu, ele decidiu ser isto.
E Deus respeita a liberdade de cada um.
Muita gente faz todas as experiências de maldade do mundo, quando nada dá certo então faz a experiência de Deus.
Para onde vais – a resposta é a vida de cada um.