Homilias
Homilia 532 Cad 38 Passarão os céus e a terra mas minhas palavras não passarão
PUBLICADO EM 17/11/2024
Homilia 532
Caderno 38
Passarão o céu e a terra mas minhas palavras não passarão
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
O Evangelho coloca o ser humano frente a frente com a vida deste mundo, mostrando que cada criatura pode encarnar a vida de Deus e tornar-se verdadeiramente feliz. Isto não é visível aos olhos humanos, mas são as promessas de Deus.
Aquelas palavras de Cristo: “Passarão o céu e a terra mas as minhas palavras não passarão”, lembram o encontro final – o encontro face a face que um dia cada um de nós terá.
Este mundo não há de ficar assim, como está, com esta ordem de valores existentes e com todo este desequilíbrio tanto material como humano. Os terremotos, as armas, as inundações; um dia acabarão. O desequilíbrio humano também, a pessoa doente, ignorante, envelhecida, pessoa faminta; um dia também passará.
Sabemos como aqui no mundo toda criatura, qualquer que seja a sua condição de vida, ela luta para alcançar um estado de felicidade plena, mas esta felicidade total será sempre ilusória porque o ser humano só será completo quando estiver em definitivo diante de Deus, mas enquanto está a caminho, deve fazer acontecer esta vida de Deus dentro de si – deve realizar a sua vocação de homem ou de mulher. Deve ser fiel a sua consciência, sabendo que por direito que cada um há de colher pelo que semear, e quem semeia ventos há de colher tempestades.
Por que tantos males, desentendimentos, acusações, calúnias, campanhas de difamação – fazendo da própria vida e da vida do outro uma espécie de jogo sujo e invertendo toda uma escala de valores humanos dos quais ninguém tira proveito, nem a família, nem a sociedade e nem a pessoa – além de ficar a marca de um ambiente hostil, poluído e odiento, dando a impressão de estarmos vivendo no tempo da pedra lascada.
Diante de Deus não vem vencedor e nem vencido para aquele que se servir destes meios condenados pelo próprio Cristo. Não faça aos outros o que não quereis que te façam.
Passarão os céus e a terra mas as minhas palavras não passarão.
Um dia o teatro deste mundo – onde a patifaria e a virtude são iguais, onde o erro e a verdade se confundem, onde o pecado e o bem tem o mesmo rótulo, o mesmo verniz e a mesma fachada - todo este teatro há de acabar e a sentença do Cristo acontecerá e cada um receberá pelo que semeou, bem assim como o agricultor que colhe o trigo que plantou.