Homilias
Homilia 531 Cad 38 Senhor a quem iremos A fidelidade a Deus
Homilia 531
Caderno 38
Senhor, a quem iríamos?
A Fidelidade a Deus
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Convivendo o Cristo no meio de um povo Ele logo percebeu como as pessoas são diferentes umas das outras, como pensam diferente uma da outra, como encaram a sua própria vida aqui neste mundo de uma maneira bem variada e diferente uma da outra.
No próprio círculo dos discípulos surge o problema.
Alguns se interessam por aquilo que Ele fala, outros não se interessam.
Alguns murmuram e contestam a doutrina do Cristo dizendo: “Esta é uma linguagem dura demais. Quem pode segui-la?”.
Era a mesma coisa que dizer – as palavras de Deus não servem para nós. A doutrina de Deus não nos interessa. As palavras de Deus não se ajustam a nossa vida. Estão fora da nossa realidade humana.
Vendo Jesus esta atitude, Ele pergunta: “A Lei de Deus vos escandaliza? O que seria de vós sem Deus?”
O que uma pessoa vai fazer aqui neste mundo e depois que ela passar se a sua vida esteve fora dos planos de Deus.
O Cristo torna a dizer: “As palavras que Eu vos digo significam a vossa própria vida...”.
O Cristo vivo, Ele mesmo perguntando pessoalmente, dialogando, conversando, percebe o desinteresse, o pouco caso – Ele percebe que alguns não acreditam e Ele sabe que um haveria de enganar e O trair.
Diz o texto que a partir de então muitos discípulos O abandonaram e já não andavam mais com Ele.
Nesta hora Jesus lança a pergunta aos 12: “Vós também não quereis ir embora?”.
Simão Pedro responde: “Senhor, a quem iríamos. Só tu tens palavra de vida eterna”.
O mundo moderno não é melhor ou pior do que no tempo do Cristo.
Uma parte da humanidade crê e vive a sua fé.
Grande parte da humanidade é indiferente.
Assim diz Sartre: “Se Deus existe para mim Ele não significa nada. Se não existe, Ele significa menos ainda.”
Grande parte da humanidade não acredita e não vive os valores do Evangelho.
Assim como diz Engels: “Vamos construir o paraíso aqui – porque lá ele não existe. E Deus é uma ilusão passageira.”
Nós fazemos parte desta humanidade. E nesta hora nos encontramos neste ponto. E o Cristo vendo o mundo assim como ele é, e Ele torna a perguntar: “E vós, também, não quereis me abandonar?”.
Ao longo da semana, do ano e da vida, cada um dê a sua resposta.
Deus na minha vida ocupa algum tempo e algum lugar?
Será que Deus não ocupa o resto do meu tempo, as sobras?
O mal do mundo moderno é este: de que Deus, que é o grande valor, ocupar quase sempre o último lugar.
Não basta a mim simplesmente existir, mas tenho que construir aquilo que quero ser.
Uma coisa é certa: ninguém viverá a minha vida por mim. A minha vida será aquilo que forem as minhas convicções.
Precisamos superar dentro de nós, a cada momento, tudo aquilo que nos torna indiferentes diante da vida e diante de Deus.