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Homilias

Homilia 527 Cad 38 Cristo expulsa os vendilhões do Templo Superar a falsa religiosidade

PUBLICADO EM 09/11/25

Homilia 527

Caderno 38

Cristo expulsa os vendilhões do Templo

Superar a falsa religiosidade

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

Irmãos em Cristo.

Desde que o mundo é mundo, o homem sentiu nascer dentro dele uma espécie de presença do além. Este sentimento é um fenômeno universal e contínuo. É o homem a procura da sua verdadeira origem, a procura da sua casa paterna. O homem a procura da razão e do sentido da sua vida. É o homem que escapa dos limites deste mundo e que procura situar-se no seu verdadeiro lugar.

O homem assim estabelece relações com esta presença do bem, o qual nós a definimos por Deus e que nos foi revelada pelo Cristo de Nazaré.

Assim nasce a fé, a oração, a religião.

A religião nasce de uma procura. Nasce da experiência humana.

Mas assim como diz o provérbio “tantas sentenças quantas cabeças”, há tantas maneiras de se voltar para Deus quantas pessoas existem.

E muitas vezes estas manifestações de fé, de oração e de religião; não passam de uma espécie de Teatro, de projeções, de problemas e conflitos que se passam dentro da pessoa.

Assim fabricamos caricaturas de Deus – falsas imagens de Deus, que não tem nada a ver com o Deus verdadeiro, e ficamos com falsas religiosidades, cheias de rituais, de palavreados, de cerimônias que não levam a nada, não levam ao concreto da vida diária.

Então encontramos uma pessoa que no sábado primeiro vai a Igreja e depois vai para a zona, ou que no domingo vai a Missa e na segunda-feira explora o quanto pode o seu semelhante.

Verdadeira oração, verdadeira fé, verdadeira religião, é aquela que transforma a vida da pessoa.

Por isto o Cristo expulsa os vendilhões do Templo. O Templo não pode ser reduzido a um mercado.

O Evangelho do Cristo também não pode ser manipulado para todos os interesses egoístas ou supérfluos. Ele deve ser instrumento de salvação.

Se nós não nos salvarmos através do Evangelho, não teremos salvação.

Peçamos perdão por todas as vezes que nós nos tornamos os vendilhões do Templo. Por todas as vezes que vendemos a nossa fé por ilusões, a nossa oração por palavreados vazios e descompromissados, a nossa religião pelo comodismo, o nosso testemunho pela indiferença, a nossa presença pela omissão.

Nós também podemos ser vendilhões do Templo.