Homilias
Homilia 523 Cad 38 Tomé
Homilia 523
Caderno 38
Tomé
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
O Evangelho de hoje nos apresenta a incredulidade de Tomé. “Enquanto eu não meter as minhas mãos em suas chagas, eu não acreditarei.”
Tomé aqui, historicamente, é Tomé mesmo; é um dos discípulos que fazia parte da primitiva comunidade de Cristo.
Tomé, num sentido mais amplo, é toda aquela parte da humanidade que vive na descrença, que vive no ateísmo, no indiferentismo.
É toda aquela parte da humanidade que vive como se Deus não existisse. Se nós somarmos quem é realmente cristão, constatamos que o cristianismo é um punhado de gente a sobreviver dentro de uma coletividade cada vez mais materialista, cada vez mais mundano, cada vez mais paganizado.
Um homem materialista construirá um mundo materialista.
Um pagão construirá uma família pagã.
Um homem desencantado construirá um mundo desencantado.
O que há de mais trágico em tudo isto é que o homem com toda a experiência de fracassos, de trevas, de milênios e milênios, ainda não descobriu o verdadeiro caminho.
Neste mundo não há felicidade perfeita e nem realização consumada, porque vive neste mundo mas não é deste mundo.
Tomé somos todos nós quando desesperamos, quando descremos, quando vivemos como pagãos, nos esquecendo da advertência de Cristo: “Bem aventurados os que não viram e creram.”