Homilias
Homilia 521 Caderno 38 Família
Homilia 521
Caderno 38
Família
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Hoje a Igreja nos apresenta a família do Cristo.
A família de José, de Maria e de Jesus.
Vemos como a família é algo grandioso aos olhos de Deus. Deus prepara uma família para que o Cristo ali pudesse crescer. Família modesta – humilde e pobre – mas a família mais feliz do mundo.
E a nossa família?
Terá alguma semelhança com esta família do Cristo?
O que predomina na nossa família é o diálogo, a compreensão ou é o desentendimento e o palavrão?
Família, meus caros amigos, não é apenas um aglomerado de gente – um amontoado de pessoas.
Família é, antes de tudo, o encontro de vidas humanas.
Não basta a alguém ter uma bela casa, uma mobília, jardim, flores e dizer: eis a minha família. Tudo isto ainda não faz a família. Não basta ter um nome, ter posição social, ter tradição e dizer: isto é minha família.
A grandeza de um lar nasce de dentro das pessoas – nasce da alma dos pais e dos filhos onde cada um faz da sua vida a vida do outro.
Onde cada qual coloca as suas qualidades, os seus talentos, a sua dedicação, o seu trabalho, a sua saúde para o bem comum, onde cada um vendo o exemplo do outro é impulsionado a fazer o mesmo porque isto está construindo o lar.
Família é igualdade de participação nos bens, na educação e formação dos filhos.
Só existe verdadeira família onde todos estão a serviço de todos, onde as opiniões são avaliadas em comum e não onde cada qual faz predominar o seu ponto de vista. Ali começa a divergência, o desrespeito e o transtorno da família. Os direitos e deveres desprezados abalam em pouco tempo a convivência do lar.
Uma vez abalada a harmonia, o trabalho de recuperação quase é impossível.
Por isto toda tarefa dentro do lar deve ser construtiva. O que não serve fora do lar não serve para a família. Dali o critério de uma personalidade bem formada, saber distinguir uma coisa da outra. Família não é só quando se está em casa mas onde quer que se esteja.
A família ainda deve ser uma força que saiba superar os defeitos de cada um em prol de todos. Não se constrói uma família a não ser pelo amor e este só resulta de pessoas que sabem amar – de pessoas que têm bondade de dentro de si, que tem altruísmo e abnegação.
Amar significa fazer o outro feliz.
Quando nem tudo vai bem numa família é uma falsa ilusão querer consertar a situação a base de gritos – de hostilidades – de censuras – de palavrões e ameaças – de bebedeiras ou de infidelidade. Tudo isto se presta para acabar de destruir o pouco que restava. Então o abismo é o que chamamos de família moderna.
Dali o pesadelo de tantas famílias desunidas – desorientadas. Dali o fantasma de tantos divórcios, desquites, de tantos lares destruídos, de tantas crianças abandonadas vivendo na orfandade embora seus pais estejam vivos. Tudo isto porque o casamento não foi além de uma grande farsa. E as consequências são trágicas para os pais, para a família e para a sociedade.
Vejamos as consequências.
Todos estes vagabundos que andam pelas ruas, maconheiros, criminosos, vadios, assassinos, bêbados, todos eles tiveram um lar, uma família, tiveram pais, é triste saber que tiveram pais e o mais triste é saber que os seus filhos, sendo o que são, poderiam ter descoberto outro modo de ser. Aqueles bandos de crianças que andam pelas ruas – não precisariam ser assim – poderiam ser como essas crianças que aqui estão em busca do sentido da sua vida, em busca de alguma coisa melhor.
Uma família só será feliz se tiver o Cristo por base. Porque onde está o Cristo ali há muita compreensão, ali há diálogo, ali há paz, ali há perdão das faltas comuns – ali onde está o Cristo há dedicação, altruísmo e fidelidade a toda prova e é isto que o Cristo espera de nossas famílias.