Homilias
Homilia 519 Cad 38 Cristo Rei
PUBLICADO EM 24/11/2024
Homilia 519
Caderno 38
Cristo Rei
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Introdução
Sem este Deus na mente, na alma, ninguém é feliz.
Sem este Deus de Jesus Cristo – a vida é inútil ainda que seja a de um Rei.
O título de Rei é a mais alta distinção que alguém pode receber neste mundo.
Se há alguém que merece o título de Rei neste mundo é o Cristo por tudo o que ele fez, pensou e prometeu.
Diante dele todos se dobrarão, mesmo os reis que viveram nos palácios mais luxuosos do mundo.
Cristo Rei
O povo judeu ficou decepcionado em sua expectativa de imaginar que o Cristo seria um personagem poderoso, muito influente, capaz de libertar a nação do jugo romano.
Contrariando toda esta mentalidade, nasce o Cristo muito pobre, sem recursos, sem a fama dos grandes soberanos deste mundo.
É ali no deserto, no anonimato, que começa o seu reinado diferente de todos os reinos terrestres e temporais.
A libertação política – militar, de Israel não acontece – e o Cristo é desconhecido e rejeitado quando o povo decepcionado se rebela e exclama: “Não queremos que ele reine sobre nós.”
E o eco destas palavras foram calar fundo na humanidade.
E o homem cada vez mais desnorteado, em vão tenta construir a sua casa e o seu mundo. Em vão tentam construir a sociedade sobre falsos alicerces. Em vão tentam os homens governar os povos quando as leis humanas são incompatíveis com as leis divinas, com as leis que o Cristo deixou neste Evangelho de hoje. E constata-se, por cifras evidentes, que o mundo nunca foi tão infeliz quanto hoje.
O milagre da técnica e do progresso deveriam ter mudado a condição humana de cada um e de todos. O homem deveria ter crescido dentro de si e não apenas na moda – deveria ter se tornado mais humano.
Deveria haver um mínimo de bem estar para todos – quando o mundo não passa de um campo de guerra. Deveria haver alimentos para todos – quando mais da metade da população mundial é subnutrida e morrem 20 milhões de famintos por ano. Deveria haver escola e formação para todos quando há 800 milhões de analfabetos. Deveria haver uma casa decente para cada família, para cada um morar como pessoa humana. Deveria haver um pouco de conforto para cada um. Deveria haver um mínimo de bem estar comum. E isto é contestado por uma ordem, por um sistema e por estruturas desumanizantes que fazem do homem um objeto qualquer de ínfimo valor.
Se esta ordem vigente, se esta ordem temporal construísse o mundo e o homem, não haveria o pesadelo da guerra, da fome, da inflação, da violência institucionalizada – não haveria tantas atrocidades sobre a pessoa humana cometidas pelo próprio homem.
A humanidade caminha sem o Cristo, e caminha cega para o vazio e para o abismo, quando haveria recursos mais do que suficientes para eliminar da noite para o dia quase todas estas misérias desumanas.
Dali se compreende que o Reino de Deus não é deste mundo – que o Reino não é semelhante que o reino dos homens.
O Reino não se confunde com reinos terrestres feitos pelas armas, pela dominação, pelos confrontos, feito pela hostilidade e por ameaças e ideologias.
O Reino de Deus não é deste mundo – não se identifica com o reino da força e com o reino da violência – com o reino opressão – com o reino alienação e marginalização – poder.
O Reino de Deus se identifica com a vida humana, com dignidade, com direitos e deveres. O Reino de Deus se identifica com a vida do Cristo e sua obra. O Reino se identifica com a consciência humana de que o homem só sobreviverá se unir o humano ao divino.