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Homilias

Homilia 516 Caderno 38 Quarta-feira de Cinzas

PUBLICADO EM 14/02/24

Homilia 516

Caderno 38

Quarta-feira de Cinzas

1979

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

O Carnaval passou. As ruas enfeitadas vão ficar como antes. Vão perder suas decorações, seus enfeites, vão ficar iguais a qualquer outra rua. A Escola de Samba vai parar. O favelado que fez o Carnaval para todo mundo vai voltar para a favela, vai viver em seu barraco, cercado de lixo, de moscas, sem luz, sem esgoto, sem higiene, sem água, sem condições de vida, passando muitas vezes fome, frio, vergonha e toda espécie de misérias.

O turista que veio de longe, volta ao seu país deslumbrado com toda festa.

Alguém ganhou o primeiro lugar – alguém ficou em último.

Muitas famílias perderam seu pai, outras a mãe, outras algum filho.

Muita gente perdeu seus documentos – outros perderam sua honra e sua dignidade.

Muita gente gastou todo dinheiro que era para comprar pão, que era da passagem da escola, do trabalho, que era da família.

Muitos brincaram o Carnaval de alegria, da música, da dança, da arte, o Carnaval do encontro, o Carnaval da amizade – o bom Carnaval. Outros brincaram o Carnaval do modismo, o Carnaval da bebedeira, o Carnaval da sujeira, do palavrão, da droga, do abaixamento, da depravação.

O Carnaval faz pensar – tem muitas coisas boas.

Ele mostra uma grande massa humana que se encontra, que se prepara, que se entende, que se organiza para uma conquista, para um troféu.

O Carnaval mostra um povo em marcha, fazendo uma caminhada.

O Carnaval mostra que todos os que desfilam devem desfilar da maneira mais perfeita possível porque passarão diante de um palanque oficial. Ali está um júri que vai julgar, que vai premiar ou vai desaprovar.

Uns ficaram felizes, outros desapontados, frustrados, dando a impressão que não valeu a pena desfilar.

No fim da nossa vida, como o júri oficial avaliou aquela Escola, aquele Carnaval de 1979; Deus fará o nosso julgamento. Ele vai olhar para o que nós fizemos ao longo da nossa caminhada e como nós desfilamos diante do próximo e de Deus.