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Homilias

Homilia 515 Cad 38 Corpus Christi

PUBLICADO EM 30/05/2024

Homilia 515

Caderno 38

Corpus Christi

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

Tradicionalmente por todo país fazem-se grandes procissões levando o Cristo em triunfo pelas ruas. Este Cristo caminha junto com a multidão – no meio da multidão. Meus amigos, o Cristo que ali está não é um Cristo disfarçado, um Cristo quieto, míope, um Cristo forçado a caminhar porque hoje é festejado.

O Cristo que ali está é presença viva – o Cristo que olha a multidão da mesma maneira como olhava há dois mil anos atrás o povo judeu. O Cristo não é um cristo de ontem. É um Cristo de sempre...

O Cristo que acompanha a procissão olha neste instante para você, olha para a sua vida, olha para o seu dia a dia.

E depois da Procissão?

Depois da Procissão será que o Cristo não volta por um caminho e você não volta por outro?

Depois da Procissão, tudo acabou, cada um para o seu canto.

Depois da Procissão não deveriam ambos conhecer-se melhor – continuar juntos – dialogando – juntos voltar lado a lado para o mesmo lar, vivendo ambos a mesma vida – a mesma existência humana. Partilhar tudo.

Separar-se como dois estranhos, deve ser duro para o Cristo.

Cristo diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Segue-me e terás a vida eterna.”

Quantas vezes Cristo não volta sozinho. Meu amigo, se você acompanhar o Cristo e permitir que o Cristo te acompanhe, você conhecerá o mundo. Teus olhos abrir-se-ão.

Você verá um mundo alienado, um mundo injustiçado de prepotentes e escravizados. Você verá um mundo cheio de mercenários – um mundo de homens que não sabem porque existem e pelo fato de serem alienados, fazem da vida alheia também uma verdadeira ninharia...

O Cristo caminha na Procissão. Passa no meio de tudo. Passa entre lares desunidos. Passa entre lares onde o amor não passou de uma farsa, lares abandonados e destruídos.

O Cristo passa entre a guerra, entre o ódio e a injustiça.

Passa entre crianças órfãs de pai e mãe, embora ambos estejam vivendo a sua vida.

O Cristo passa entre a multidão. Passa calado, mudo, cego e surdo... Por que? Os homens não O conhecem. Cristo é um estranho, um importuno, um inconveniente.

Cristo caminha na Procissão.

Passa perto de prostíbulos que fazem da vida humana uma verdadeira lixeira.

O Cristo passa perto do maconheiro, perto do ladrão, do assassino, do bêbado, do miserável.

O Cristo caminha na Procissão. Passa perto da prostituta, do depravado, do traficante, passa perto do vadio, do angustiado.

Cristo passa dentro de uma sociedade toda transtornada.

Cristo passa perto do preto e do branco. Cristo passa perto, também, de muita gente boa. E o mundo caminha quase todo de cabeça para baixo. O mundo não se transforma. Por que? É a grande pergunta que angustia a todos. Não deverá ser culpa do Cristo. Cristo podia ter feito mais do que fez, ou será que nós fizemos tudo o que deveríamos ter feito?

O Cristo passa sem resolver a situação humana porque não há diálogo. Vamos aproveitar este encontro para tomarmos consciência de que a humanidade somos nós. O homem alienado de si mesmo é como se estivesse vivendo num deserto. O Evangelho é libertação do homem de tal forma que não haja prepotentes e escravizados. Libertação do vazio e da cegueira humana.

Que o Cristo te acompanhe nesta Procissão de Corpus Christi e durante toda a tua vida.

Assim seja.