Homilias
Homilia 499 O Primeiro Natal
Homilia 499 (PUBLICADO EM 24/12/2023)
O Primeiro Natal
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Ali estão Maria e José. Eles fazem parte do Povo de Deus. Eles acreditam nas profecias dos Livros Sagrados. Corre de boca em boca entre as 12 tribos, a Boa Nova: O Messias está chegando. Ele vai morar no alto da montanha. Sua casa terá o brilho da luz do sol. Será vista de muito longe pelos povos que vêm do oriente e do ocidente. Todas as nações do mundo vão a casa do Senhor e se prostrarão diante Dele. Ouvirão sua voz e porão em prática seus ensinamentos. As armas não existirão mais. Serão transformadas em instrumentos agrícolas para lavrar a terra e colher o trigo. Haverá paz entre todos os povos. Maria e José vivem a primeira noite de Natal. Eles fazem parte do Povo de Deus. Habitam em Nazaré, na Província da Galileia. Devem ir a Belém na Judeia. Maria está prestes a dar à luz. Viagem difícil. O desconforto da gravidez. Não há caminho. Andam por um chão de pedras. Seguem por montanhas, encostas, campos, vales e planícies. Sol de 40 graus. Não há abrigos. Não há água. Não há alimento. Não há segurança. Nenhum bem estar. Quanto perigo de animais selvagens, de ladrões, salteadores. Eles são corajosos: Deus caminha junto.
Eles vão a Belém. É ordem do Imperador César Augusto. Todos devem se apresentar na cidade de origem para o recenseamento.
Caminhada penosa. Alguns dias de viagem. Trezentos e setenta e cinco quilômetros. Aproximadamente dez dias de viagem. Como de Curitiba a São Paulo. Quem de nós faria isto por alguém? Quantas incertezas. Quantas indagações. Quantos obstáculos. Quanto sofrimento. Quantas privações.
É preciso caminhar. É Deus quem desafia. Eles não andam só com os pés. Caminham com a alma. As profecias lembradas nas Sinagogas e no Templo de Jerusalém, enchiam o espírito de esperança.
Forasteiros cansados, famintos, sedentos, empoeirados, pobres, estranhos, peregrinos chegam a Belém. Procuram hospedagem. Algum albergue. Uma acolhida. Não há lugar para eles na hospedaria. Todas as portas estão fechadas, trancadas.
José olha para Maria. Ela, sorrindo, diz: “Vamos adiante. Deus sabe o que faz.” Deus vai providenciar. Sem desanimar, sem desesperar, sem desacreditar, sem se perturbar; eles vão um pouco além. Mais oito quilômetros.
Uma gruta, num campo, à beira da estrada; que servia de abrigo aos animais e aos viajantes, serve de pousada. O céu estrelado aponta para o infinito. Ali Maria dá à luz ao menino que encantaria o mundo para sempre.
Foi tão grandioso este acontecimento, que mudou a contagem da história humana. E bilhões fazem Dele o caminho, a verdade e a vida.
Dois mil anos se passaram e Ele está vivo no meio de nós.
Feliz Natal!