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Homilias

Homilia 498 O Evangelho pela Rádio Jesus cura endemoniado

Homilia 498

O Evangelho transmitido pela Rádio

Jesus cura endemoniado

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

Prezados ouvintes:

O Evangelho nos faz pensar. Não é letra morta...

Estamos no fim de mais um século, e de mais um milênio.

E nós nos perguntamos:

Depois da existência de tantos milhões de anos do ser humano – tanto raciocínio, tanta ciência, tantas pesquisas, tanto progresso, tantas transformações materiais e sociais; como vai o nosso mundo? Onde estamos? Quem é o homem para o homem? Valeu a pena a caminhada humana?

E constatamos que não há nada mais precário e mais ameaçada que a vida humana.

Nos perguntamos por Deus nesta hora. Lembramos Jesus Cristo. Seu Evangelho.

Qual a sua mensagem para este domingo?

Interpretando esta página da Bíblia sabemos: que o Cristo está no auge de sua juventude. Do seu vigor. Da sua beleza. Da sua missão.

Ele tem 30 anos de idade.

Sabe que tem pouca vida pela frente. Não porque quer morrer, mas porque vai ser assassinado.

Ele é ainda desconhecido, tanto em Belém – Nazaré – Jerusalém.

Ele viera para ser a luz do mundo. Para salvar todos os povos.

Aparentemente, até agora, nada fez.

30 anos no anonimato – no silêncio – na vida pacata em sua aldeia, em sua família.

Como viveu? Que fez até agora?

Foi operário. Trabalhou com suas mãos. Ganhou o pão com o suor do seu rosto. Deve ter sido carpinteiro.

Você já imaginou recebeu um móvel pelas mãos do Cristo?

No entanto Ele nos oferece muito mais do que um móvel que o tempo consome.

Ele aprendeu a leitura dos livros sagrados nas Sinagogas, junto dos seus.

Frequentou o Templo de Jerusalém.

Preparou-se 30 anos.

Agora começa sua vida pública, suas pregações, suas caminhadas, seus milagres.

Movido pela verdade, pela justiça, pela paz, pela fraternidade, pela esperança; deixa seu lar.

Convoca 12 companheiros e a partir deste momento ele mesmo diz: “O Filho do Homem não tem um lugar conde repousar a cabeça.”

Sua vida agora é de peregrino e de pregador.

Começa sua missão profética pública.

É um sábado. Ele está numa Sinagoga. Não como um simples ouvinte, mas como o mais sábio dos sábios, o Mestre dos Mestres.

E ele se põe a ensinar.

Sua sabedoria espanta os grandes mestres e doutores da Lei.

Eles eram teóricos leigos ou religiosos, que não abriam mão de sua sabedoria.

Eles sabiam a Bíblia de cor.

Tinham 613 mandamentos na ponta da língua. De repente se espantam. Um simples visitante era mais sábio do que todos eles. Pior, era mais poderoso do que todos eles.

Isto criou também um certo ciúme, certo atrito, porque as multidões O admiravam e queriam aclamá-Lo Profeta – Rei – Messias.

Isto também provocou a proibição de Ele continuar a frequentar a Sinagoga. Não se importou. Pregava em público – nas praças – sobre os barcos, canoas – à beira do mar – nas montanhas – nos campos – em qualquer lugar onde estivesse.

Ouvindo suas palavras, as multidões atônitas se perguntavam: quem é este homem? Donde veio? Quem é este homem que o vento, o mar, a tempestade [obedecem]? Que até o próprio diabo lhe obedece?

Sua vinda é misteriosa.

Ele viera implantar o Reino de Deus. Pregar a Boa Nova a todos. Semear a esperança. Por os mandamentos de uma doutrina capaz de criar uma vida nova.

Era o grande desafio deste sábado provar porque veio e quem era.

Ele está diante de um homem possesso – endemoniado.

É difícil nos caracterizar esta situação de um homem dominado pelo demônio.

Pensadores modernos sugerem ser um homem perturbado, desequilibrado, desajustado. Um doente mental, louco, desatinado. Visto que a palavra “dêmones” em Grego, para os antigos, era sinônimo de doença.

De qualquer forma o caso exige um poder sobrenatural. Doença, demônio, espírito do mal – devem ter uma resposta. E diante dele são aniquilados. Deus é mais forte.

Diante do mal Deus não pede – ordena. “Cala-te e saia deste homem.”

A sabedoria divina prevalece.

O mal é temporário e é destruído. Ele não tem raízes para sempre. E não tem nenhum poder sobre Deus. O homem possesso se torna livre,

Deus é o Senhor da história e sempre será.

Ainda que o homem queira permanecer possesso e muitas vezes encarne o papel do diabo. Deus respeita a decisão. Respeitou Herodes, Judas, Pilatos, os carrascos que mataram o Cristo na cruz. O homem pode criar o inferno para o homem. É só lembrar o sofrimento e a matança de 60 milhões de homens, mulheres e crianças na Segunda Guerra Mundial. A destruição de 15 milhões de moradias. 2 bombas atômicas pulverizaram Nagasaki e Hiroshima. Um gasto de alguns trilhões de dólares e tudo isto por que e para quem?

O homem pode criar o paraíso para o homem. Tanta gente luta por isto. E Deus está do seu lado.

Lembremo-nos que o Cristo sozinho, ainda hoje faz pensar mais do que toda a humanidade junta. Sem seus ensinamentos, a vida de um jeito ou doutro, vira um inferno ou lixo.

Só Ele é o caminho, verdade e vida. Ele é o Senhor da história e da nossa também.

Ele é o Senhor da história.

A todos Paz e Bem.

Bom domingo.