Homilias
Homilia 473 Páscoa
PUBLICADO EM ABRIL DE 2023
Homilia 473
Páscoa
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Da última ceia para Jerusalém.
De Jerusalém para o Calvário.
Da vida para a morte.
Da morte para a vida.
“Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?”
No momento mais atroz de seu sofrimento e crucificação, um grito de solidão e de angústia se estampa no rosto de Cristo.
O mundo da iniquidade e das trevas parecia ser mais forte que tudo e pronuncia a última palavra sobre o condenado da Sexta-Feira Santa.
A sentença de morte ditada por Anás, Caifás, Herodes e Pilatos, demonstrava o trágico fim reservado a mais um aventureiro que se intitulava Filho de Deus, Messias, Salvador...
Tantos já tinham sido executados e nada mais restava deles.
O Homem de Nazaré seguiria o mesmo destino passando pelas mesmas mãos assassinas habituadas a ferir e a matar. Sempre foram assim.
Despojado de tudo, cumpria Ele as profecias e o plano do Pai. Mas, a Cruz ensanguentada, a companhia de outros condenados, a traição do amigo, o abandono dos discípulos, o Calvário assombrado, o esgotamento das últimas forças, a dor suprema, fazem brotar do resto de vida que sobra o grito pungente: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.
Quem pode sentir a dor de um crucificado se não um crucificado?
Fazer esta experiência sem passar pela experiência?
Que significa no âmago do ser a condenação, o carregamento de uma Cruz por caminhos íngremes no meio de familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos?
Que significa a flagelação, a coroação de espinhos, as pancadas, as feridas abertas, a sede, o cansaço, a vergonha, a humilhação, os insultos, aas zombarias, a prostração?
Quem é quem nesta hora? A que se reduz um ser humano?
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?.”
E, inclinando a cabeça, Jesus morreu.
Viera a este mundo para trazer a justiça e a paz.
Pelo ódio e pela injustiça, morreu na Cruz.
Mas, tanto sua vida quanto sua doutrina e morte, deixam sinais de profundo mistério...
Agora os grandes lavam as mãos, os inimigos apregoam seu fracasso. O mundo das trevas parece triunfante, mas, o capim não cresceu sobre a sua sepultura.
Madrugada de domingo. O mistério se revela.
Anjos anunciam... a pedra está fora do lugar.
Os guardas fogem, as mulheres vêm com seus próprios olhos. O túmulo está vazio. O centurião romano acredita.
Os apóstolos constatam. E Ele, vivo, aparece aos seus.
Sua história transcende a morte.
Seu Reino nunca mais terá fim.
E Ele está vivo no meio de nós.
Feliz Páscoa!