Homilias
Homilia 472 Marta e Maria
PUBLICADA EM 20/07/2025
Homilia 472
Marta e Maria
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
O Cristo está diante de uma família conhecida nas páginas do Evangelho. Uma família que morava em Betânia, que fica a uns 20 quilômetros de Jerusalém – de Piraquara a Curitiba.
É a família de Lázaro, de Marta e de Maria.
Nesta mesma família onde o Cristo se hospeda muitas vezes, não só Ele mas os discípulos também. Imagine ter o próprio Cristo por hóspede
Família que O acolhe, que O estima, e que sempre tem um lugar para Ele nesta casa.
É nesta família que acontece o grande milagre da ressurreição de Lázaro. Tendo Lázaro morrido e sendo sepultado já a quatro dias. O Cristo sente o drama, a dor desta família. Chega a chorar diante do amigo morto. O Cristo vai até o cemitério e ressuscita Lázaro.
Esta família é conhecida das páginas do Evangelho.
Acontece neste Evangelho uma pequena confusão.
O Cristo, aparentemente, aparece nesta casa num momento em que todo o serviço geral da casa ainda não tinha sido feito. Quanto serviço numa casa todos os dias. Só lembrar, varrer, limpar, cozinhar, lavar roupa, louça, buscar água na fonte, cuidar de alguma plantação, criação, espanar móveis, etc...
Muitas vezes a casa é grande, uma pessoa não dá conta – ali entra a função da doméstica – diarista.
Este Evangelho não fala de Lázaro: provavelmente estava ausente. Marta dá uma bronca na sua irmã, através do Cristo.
- “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo serviço para fazer. Mande que ela me venha ajudar.”
Marta não só quer que Maria a ajude – mas censura a Jesus – “mande que ela me ajude.” Há todo serviço da casa para ser feito. Se alguém não fizer, quem faz?
Jesus não é um boa vida – acomodado, aproveitador, preguiçoso.
Ele foi operário também. Trabalhou na carpintaria de José. Estudava nas Sinagogas. No Templo de Jerusalém. É alguém habituado a trabalhar e a ganhar o pão com o suor do rosto.
Viu sua mãe, Maria, trabalhar na própria casa em Nazaré. Viu José trabalhar.
Sabe que se alguém não fizer o trabalho, ele simplesmente não acontece. Uma casa é limpa se alguém a limpar. O Cristo tem consciência do valor do trabalho, mas também sabe que nem só de pão vive o homem, mas também da palavra de Deus.
O Cristo conhecia esta casa dos pés a cabeça. Sabia que estava tudo em ordem, tudo limpo, tudo pronto.
A resposta do Cristo não quer menosprezar o trabalho de Marta e nem supervalorizar a atitude de Maria.
O Cristo diz: “Há momentos para tudo. Momentos para trabalhar e momentos para rezar.”
Momentos para a vida deste mundo – momentos para Deus.
O importante é não ser escravo das coisas.
Só as coisas deste mundo não fazem ninguém feliz (senão milionário não se suicidaria).
Por outro lado, não basta só pensar em Deus e ficar de braços cruzados.
É preciso trabalhar e rezar. Viver com os pés no chão mas com o coração voltado para Deus.