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Homilias

Homilia 454 Cego de Nascença

PUBLICADO EM 15/03/2026

Homilia 454

Cego de Nascença

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

Andando Jesus certo dia pelos caminhos da Palestina acompanhado dos discípulos e muitas vezes pelas multidões, Jesus viu um homem cego de nascença.

Certamente estava ali pedindo esmola para matar sua fome. Era ele um mendigo conhecido de todo mundo. Se ele estava ali tinha a certeza de que não voltaria para casa de mãos vazias.

Não imaginava também este homem que hoje a coleta seria muito diferente. Não seria em forma de moeda ou de algum presente material, ou de algum donativo feito por algum conhecido.

Não imaginava este homem que hoje seria seu último dia como cego e que ele voltaria para sua casa vendo tantas coisas belas pelo caminho.

Não imaginava ele que o doador não seria alguém da vizinhança, mas, que seria Jesus Cristo que estava ali a seus pés. Era o Filho de Deus lhe dando a mão. Como foi? Jesus Cristo fez um pouco de lama com a saliva, passou sobre os olhos do homem cego e o mandou se lavar na piscina de Siloé. O homem cego, não obstante sua deficiência e limites humanos, era um homem de fé e de esperança. E ele obedeceu sem se perguntar quem lhe dava esta orientação. E ele ficou completamente curado. Diante deste milagre os vizinhos discutiam se era ele mesmo ou se não seria outro cego. E o levaram aos fariseus.

Perguntaram-lhe: “Como tinha recuperado a visão?”.

E ele disse-lhes: “Um homem fez um pouco de lama, passou em meus olhos e eu fiquei completamente curado, quando me lavei na piscina de Siloé a seu pedido.”

Neste Evangelho surgem dois tipos de cegueira: a cegueira da incredulidade e a cegueira da alma, a cegueira do espírito, a cegueira interior.

Dizem os inimigos: “Não poderia este homem ter feito isto num dia de sábado”. É o legalismo farisaico. O sábado vale mais do que o pobre homem cego. Perguntaram ao homem cego: “Que dizes tu deste homem?” Ele respondeu: “É um grande Profeta.”

Os fariseus perguntaram a seus pais sobre a paternidade. Eles responderam: “É nosso filho.”

Os judeus tinham combinado de expulsar quem declarasse ser Jesus um Profeta. Diante da convicção de que Jesus era o Messias, o homem outrora cego, foi expulso da comunidade. Posteriormente Jesus o encontra e lhe pergunta: “Acreditas no Filho do Homem?”. “Quem é o Senhor para que eu possa acreditar Nele?”. “Tu o estás vendo. É aquele que está falando contigo.”

Exclamou o homem: “Eu creio, Senhor”. E prostrou-se diante de Jesus. Jesus mostra que a cegueira da vista – a cegueira dos olhos – a cegueira física tem cura. A cegueira do espírito não tem cura.

Cego não é aquele que não vê, mas, aquele que não quer ver.