Homilias
Homilia 430 Dois Senhores Cad 21
Homilia 430
Caderno 21
Dois Senhores
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Dente por dente, olho por olho.
Há tempos atrás o Jornal Nacional mostrava uma cena de violência terrível.
O Aiatolá Khomeini – presidente do Irã, baseado em sua Bíblia. o Alcorão (a Bíblia do Islamismo – a religião de Maomé), mandou ele em praça pública, alguns ladrões para que fossem justificados.
Diante de milhares de curiosos, todos eles seguidores desta bíblia, cortaram em público as mãos destes ladrões.
Esta bíblia diz: “Olho por olho, dente por dente.”
Volta e meia nós temos conhecimento de um linchamento de algum pivete – algum trombadinha é despedaçado em praça pública. “Olho por olho, dente por dente”.
Uma guerra no Líbano, o mandamento é matar para não ser morto. Assim todo mundo vai semeando a hostilidade que cresce e que domina a todos.
A uma agressão corresponde outra agressão – a uma violência outra violência – a uma ofensa outra ofensa – um gesto de vingança em outras palavras. Olho por olho dente por dente – fazendo deste comportamento humano uma atitude normal, comum – como se isto fosse bom – certo e racional e como se isto exterminasse o problema e trouxesse mais sossego, mais paz a sociedade.
Os dois extremos estão errados.
O Cristo tenta mudar esta situação humana, que leva sempre, de novo, ao absurdo.
Ele propõe uma doutrina universal de fraternidade – única solução: amai os inimigos.
Fazei o bem aos que vos odeiam. Abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam e sereis filhos do Altíssimo.
O erro sempre será erro venha de onde vier.
A bondade será sempre bondade de quem quer que seja.
Deus, como nossa fé professa, é um Deus que está no meio de nós, que sempre se manifesta dentro da nossa história e de nossas vidas, procurando nos libertar para formas mais humanas de vida. A plenitude desta vida é a perfeita convivência com Ele.
Dois Senhores:
Este Evangelho de hoje, esta doutrina, estes conselhos parecem uma grande contradição com a vida moderna atual.
Será que no tempo em que o Cristo estava vivo, tudo era mais fácil. Tudo era de todo mundo. Não havia preocupações com a vida – nem com o que comer – nem com o que beber nem com o que vestir.
“Olhai os pássaros do céu. Eles não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto Vosso Pai que está nos céus os alimenta. Será que vós não valeis mais que os pássaros?”.
Não vos preocupeis com a vida.
É preciso entender estas palavras.
Se há alguém neste mundo que se preocupou com a vida e com as necessidades básicas da família humana, foi Ele. Ele multiplicou os pães – para matar a fome de uma multidão.
Ele trabalhou quase 30 anos numa oficina para o sustento da família.
Depois quando escolheu os 12 para continuar a tarefa do Evangelho, escolheu gente disposta, ativa, decidida, gente habituada a enfrentar a dureza da vida – a trabalhar - a ganhar o pão com o suor do rosto.
Ele nos deu, ainda, a Parábola dos Talentos entre muitas outras - aquele que se preocupou – que trabalhou, produziu. Aquele que não fez nada perdeu até o que ganhou.
Ele nos deu a Parábola da Figueira. Quando Ele passou por baixo e foi colher algum fruto – viu que não tinha produzido nada – mandou cortá-la fora.
Quando o Cristo diz: “Não vos preocupeis.” Gente de braços cruzados, indiferente, à toa, sem responsabilidade. Não devemos viver como os pagãos que só vivem para as coisas deste mundo, o deus deles é um ídolo.
É contra estas coisas que o Cristo quer nos prevenir. O homem deve caminhar com os pés no chão, mas com o coração voltado para o sentido último das coisas.
Como me disse um homem milionário nesta semana que passou. Se eu não encontro Deus na bebida – no dinheiro – nos prazeres e na jogatina, e não O encontro em lugar nenhum. Fique com o seu Deus.