Homilias
Homilia 418 Amarás o teu Deus e ao próximo
Homilia 418 (PUBLICADA EM 29/10/2023)
Amarás a Deus e ao próximo
Jesus, as Autoridades Judaicas e a Lei
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Jesus está diante das autoridades de Jerusalém.
A mentalidade judaica era esta. A Lei é a suprema religião. A religião é dependente totalmente da lei. De tal forma que a lei judaica catalogou 613 mandamentos – prescrições – preceitos – proibições. Quem observasse estes 613 mandamentos era o judeu perfeito, abençoado por Javé. Quem não observasse a lei era pecador.
Jesus era Mestre. Percebeu as falhas da lei. Contestou a hipocrisia, a ambiguidade, a farsa, a escravidão da lei, e diz.
“É permitido tirar o boi do poço, a ovelha do atoleiro em dia de sábado mas não é permitido no mesmo dia socorrer o próximo. O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.”
Jesus contestou a purificação. Lavam os pratos e as mãos e no interior é sepulcro, é cheio de podridão, e certas práticas dentro do templo.
As observações de Jesus são um escândalo – uma afronta.
Jesus está diante das autoridades.
Elas estão interessadas em saber como Jesus se portaria mais uma vez, diante da Lei. Por isto lhe perguntam:
“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”. Todos eram iguais, sem distinção. Jesus sabe que a pergunta é perigosa. E a resposta é mais ainda. É uma cilada.
Ele cita dois livros do Antigo Testamento. Dt 6.4 e diz:
“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”
E cita o Levítico – Lev. 19-8:
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Toda a lei e os Profetas dependem destes dois (mandamentos).
Jesus é abrangente. Em duas frases diz tudo. Deus é próximo. É o cerne da lei.
Jesus não veio abolir a lei – mas conferir-lhe uma interpretação e uma leitura autêntica. E lhes diz:
“Destes dois mandamentos dependem todos os outros.” Eles não são dois mandamentos entre tantos. Eles são a base – o fundamento, o alicerce. A parte essencial. Sem isto, o resto é resto. Eles projetam luz, sentido, sobre todos os outros. Sem estes dois, os outros não têm importância nenhuma.
Sem o amor de Deus e do próximo, toda a legislação judaica e rabínica é vazia, não vale, é letra morta. Nem leva a Deus e nem ao homem.
Todo este arcabouço de 613 mandamentos tão importantes para os Fariseus, para o Cristo era resto – era uma canga – jugo – podia ser lançado fora.
O Cristo mesmo diz, refutando parte da lei:
“Não quero mais sacrifícios cruentos de bois e carneiros mas quero um coração limpo e misericordioso.”
Tudo isto vale hoje para as leis eclesiásticas, e civis também. Para toda a ciência humana, para todas as Instituições que as vezes nada têm de humano nem de divino. O mais importante não é observar os 613 mandamentos, nem que fossem mil ou dez mil. O que vale é dar à nossa vida o sentido de amor e de misericórdia.
Deus é do amor ao próximo. Isto, na prática, não é ser solteiro ou casado, religioso ou civil (isto é opção). Não é o meu cargo, a função, a cultura, a congregação, o sacrifício, a pastoral, a transferência, a casa onde moro, meu conceito, hábito, comunidade de fé. Talvez isto seja o resto.
O mais importante é, sim, esta consciência o que leva tudo isto, o que tudo isto significa e o quanto tudo isto é meio, é instrumental para o amor a Deus e ao próximo. Senão seremos como a quela rainha egípcia coberta de brocados de ouro, joias e púrpura, mas não sabia que estava sendo devorada pelo câncer.
O desafio é este:
“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento e amarás o teu próximo como a ti mesmo.”