Homilias
Homilia 394 Domingo de Ramos
PUBLICADO EM 13/04/2025
Homilia 394
Domingo de Ramos
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
2008
Lembra e entrada messiânica de Jesus Cristo em Jerusalém.
Jesus ficou em Betânia todo o sábado, preparando-se para enfrentar os últimos dias de sua vida. Última semana. Incompleta. Não chegaria ao fim. O drama do Calvário O espera. Ele não se deixa dominar pelo desespero. Há uma cruz lá fora para Ele carregar. Há uma cruz para nela ser crucificado. Era o castigo dos grandes malfeitores. Mesmo diante de tudo isto Ele não se deixa dominar pelo desespero. Sua alma é serena como se Ele fosse viver ainda longa vida. Neste sábado Ele desfruta do convívio, do bem-estar, da alegria, da felicidade de uma família muito amiga: a família de Lázaro, de Marta e de Maria; como se nada de grave estivesse para lhe acontecer. Neste sábado Jesus está muito à vontade nesta casa. Sabia que era a última vez. Tantas vezes Ele se hospedara. Tantas vezes ali se alimentou. Descansou. Na verdade, uma boa família é como se fosse a família da gente.
Os peregrinos da Galileia vinham em caravanas para celebrar a Páscoa no Templo de Jerusalém. Eles se encontram com o Profeta de Nazaré. Tinham espalhado pelas ruas e cidades a grande notícia de que Jesus estava hospedado nas proximidades de Jerusalém, em Betânia. Três quilômetros do Templo, e que Ele também viria a cidade Santa. Esta notícia causou impacto e muitos amigos, simpatizantes, curiosos e admiradores foram até Betânia para encontrar-se com Ele. E O encontraram. Todos queriam acompanhá-lo na entrada solene, festiva e emocionante, até Jerusalém.
Muita gente foi até Betânia para ver Lázaro ressuscitado. A ressurreição de Lázaro criou em Jerusalém um impacto muito forte e muito assustador. Muitos estavam convictos de que Ele era o Filho de Deus, o Messias, o Salvador do mundo, que haveria de governar o povo de Israel, libertar toda a Palestina da dominação romana. Isto também chegou aos ouvidos dos Sumos Sacerdotes e do Sinédrio, que decidiu matar Jesus e Lázaro também, conforme São João, Capítulo 12,10.
Aos surdos e mudos Jesus pedia silêncio, quando queriam proclamá-Lo Messias, para evitar o entusiasmo das massas humanas. Agora que o Sinédrio tinha ditado uma sentença de prisão e morte para Ele. Agora que espiões e Sumos Sacerdotes estavam de prontidão para matá-lo... Agora que a nação inteira está reunida para celebrar a Páscoa diante de todas as autoridades – civis – religiosas e militares – Ele permite esta manifestação pública. Que pretendia Jesus com este gesto, com a entrada solene na cidade de Jerusalém?
Cumprir profecias?
Desafiar os poderes públicos?
Dar um derradeiro testemunho, uma última chance?
Despedir-se das multidões?
Certamente o gesto de Jesus tinha um caráter profético e doutrinário. Ir ao encontro mais uma vez das multidões e mostrar a grandeza da Sua doutrina e falar da Boa Nova do Reino de Deus.
Assim, de manhã cedo – domingo – Jesus sai de Betânia (três quilômetros) – (é perto, como do São Roque até o Guarituba); para ir a Jerusalém.