Homilias
Homilia 385 Jesus de Nazaré Páscoa
Homilia 385
Jesus de Nazaré (Páscoa)
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Depois de ter andado Jesus por toda a Palestina fazendo estupendos milagres, abençoando o seu povo, acolhendo as crianças, perdoando os pecados, multiplicando o pão, falando às multidões, ressuscitando os mortos, dá a impressão que o mundo das trevas se levantou contra Jesus de Nazaré: “Crucifica-o, crucifica-o” gritavam muitos. Toda a sua pregação foi como a semente que caiu sobre as pedras.
Isto nos mostra em que circunstâncias Jesus foi levado à condenação e à morte na cruz.
Por que tanta rejeição? Tanta violência? Tanto ódio? Tanta raiva, tanta vingança?
Este calvário, este tormento físico e mental, duraria 18 horas, desde a prisão à sua morte na cruz. Que mal cometeu Jesus de Nazaré? Morreu Jesus antes de sua crucificação? Antes de ser suspenso na cruz? Antes do golpe da lança cravada em seu peito?
Teria Jesus morrido por tanta violência? Perguntam muitos. Agora cada etapa de sua caminhada, rumo ao calvário, seria mais cruel.
Lá fora, sua cruz à espera. Dois metros e meio de comprimento e dois metros a parte transversal. Seu peso: de 80 a 90 quilos.
A Cruz
A cruz era imposta aos grandes malfeitores da sociedade e da pátria: criminosos, traidores, prisioneiros, desertores, ladrões etc.
Jesus foi crucificado entre dois ladrões. Este castigo tinha todo um ritual e uma sequência: prisão, julgamento, condenação, açoitamento, flagelação e ossos quebrados.
Depois de o cadáver ter se transformado numa pasta humana, era jogado no Vale da Geena e servia de pasto aos corvos que infestavam aquela região. Havia também um certo cuidado na flagelação. O condenado deveria chegar vivo ao local da crucificação. Por isto o sofrimento infligido deveria ser administrado conforme a resistência do condenado. Assim morria Jesus na cruz, decorrente da tortura e da crucificação, segundo Dr. Zugibe.
O chicote
Jesus é violentamente açoitado pelos guardas romanos, sob as ordens de Pôncio Pilatos, prefeito da Judeia. Depois, lava as mãos. O chicote tinha três tiras, cada uma tinha na ponta metais pontiagudos, lascas de pedras ou ossos de animais (carneiro). Cada chibatada equivalia a três ferimentos agudos, que rasgavam a carne provocando acúmulos de sangue e líquido nos pulmões, no baço e no fígado. Após a condenação, Jesus é violentamente açoitado. O chicote era instrumento de flagelação dos condenados. Um algoz podia bater 40 vezes. Como o chicote tinha 3 cordas, 40 vezes 3 equivalia a 120 chicotadas. Três algozes batendo equivalia a 360 golpes.
Coroação de Espinhos
Uma coroa de espinhos selvagens foi cravada na cabeça de Jesus, causando sangramento que escorria pela face, por toda a cabeça e pelo corpo. Os espinhos atingiam ramos de nervos, como o trigêmeo, causando uma dor insuportável. Nada pode suavizar esta dor, a não ser a morte. Jesus transpira sangue por todo o corpo.
A lança usada contra Cristo
O coração é, em parte, atingido pela lança. É rompida a aorta. Diz Zugibe: “A vítima era reduzida a uma massa de carne.”
Grita Jesus nesta hora: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”
Num outro momento grita Jesus: “Pai, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas a tua vontade.”
Os pés transpassados
Jesus tem os pés transpassados pelos pregos de aproximadamente 15 cm de comprimento e 9 milímetros de espessura. Pés pregados separadamente um do outro e não sobrepostos. Perfuram os pregos os nervos plantares, causando dores mortais.
As mãos perfuradas
As mãos estão perfuradas e pregadas na cruz junto ao polegar, onde passa o nervo mediano. É uma área muito sensível e a dor é terrível. As mãos que tanto abençoaram estão pregadas na cruz.
Últimos detalhes: a caminhada do Templo ao Calvário teria sido de 8 quilômetros. (Como do São Roque a Pinhais).
Numa placa fixada sobre os ombros estava escrito o crime que ele cometeu: INRI – Jesus Nazareno Rei dos Judeus.
Tudo faz pensar:
Seu nascimento pobre.
Sua doutrina tão profunda.
Seus milagres divinos.
Sua condenação iníqua.
Sua flagelação cruel.
Sua morte injusta.
Sua Páscoa triunfante.
Tudo faz pensar.
FELIZ PÁSCOA!