Homilias
Homilia 383 São Pedro e São Paulo
PUBLICADO EM 29/06/2025
Homilia 383
São Pedro e São Paulo
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
A liturgia deste domingo une dois grandes personagens da história da salvação. Dois grandes heróis. Dois grandes Santos. Dois grandes Apóstolos que se deixaram encantar pela vida e pela doutrina de Jesus Cristo, ainda que São Paulo não tenha conhecido diretamente Jesus.
Eles são lembrados como os pilares, como os fundamentos da Igreja nascente em Roma. Eles abriram as portas do cristianismo para o mundo. A Boa Nova do Reino de Deus não poderia ser proposta apenas ao povo de Israel, mas seria universal – seria um convite a todas as pessoas de boa vontade. Perseguidos por Nero, Imperador de Roma – um homem sanguinário - eles foram presos. São Pedro foi crucificado e São Paulo decapitado.
São Pedro
Em vida, Pedro é escolhido como cabeça. Nos momentos de crise Pedro é porta voz dos Apóstolos. Era pescador do Mar da Galileia. Era irmão de André. Morava em Cafarnaum. Pedro era casado. Foi a beira mar que Jesus o convidou para segui-lo.
Pedro deixou o barco, a rede, o mar, a família, o velho pai, a profissão, os bens todos para seguir Jesus. Pedro é porta voz dos discípulos. Em Cesareia de Felipe, Jesus lhe disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela.”
Jesus põe Pedro à prova, perguntando três vezes: “Pedro tu me amas?”. Pedro responde: “Senhor, tu sabes que eu te amo.”
Pedro se torna grande líder. Assume as comunidades cristãs de Jerusalém. Recompõe o grupo dos Apóstolos. Pedro prega no dia de Pentecostes. Três mil se convertem. Pedro faz milagres. Pedro é preso. Diante das autoridades judaicas que o intimidam de pregar, Pedro diz: “Temos que obedecer a Deus e não aos homens.”
Pedro convoca o Primeiro Concílio de Jerusalém.
Pedro foi para Antioquia e ali ficou 7 anos, pregando nas comunidades. Depois foi para Roma, onde ficou até a morte. Seu corpo está sepultado na Basílica de São Pedro e São Paulo, em Roma.
São Paulo
Natural de Tarso, dupla cidadania: romana e judia. Foi para Jerusalém. Tinha sólida formação nas Escrituras Sagradas, mas dentro do espírito e da interpretação dos fariseus, que defendiam a antiga lei e a tradição dos antepassados.
Paulo presenciou o apedrejamento de Estevão até a morte. Paulo perseguia com ódio a seita dos cristãos. Os Atos dos Apóstolos mostram o milagre da conversão de São Paulo. Ia pelo caminho de Damasco para perseguir, prender e matar os cristãos, quando foi derrubado do cavalo. Jesus lhe perguntou: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”.
Paulo ficou momentaneamente cego. Foi acolhido pelo Sacerdote Ananias, que o preparou para o batismo. Paulo ficou no deserto da Arábia por três anos, em oração e penitência. Depois vai para Jerusalém. O encontro com os Apóstolos foi com muita cautela e desconfiança pelo seu passado. Do matador dos cristãos para a conversão milagrosa. Era inacreditável tamanha transformação. Paulo entrou de corpo e alma nesta nova missão que Deus lhe destinara. Começou o seu trabalho apostólico. Realizou grandes expedições missionárias ao longo de 25 anos. Passou dois anos preso em Cesareia de Felipe. Liberto, passou para Roma. Ali foi novamente preso, porque orientava os pagãos a abraçar o cristianismo. Foi inocentado pelo Tribunal. Visitou comunidades no Oriente. De volta à Roma, foi preso por ordem de Nero, o Imperador. Foi condenado e decapitado. Por ser cidadão romano escapou da crucificação. Paulo escrevendo aos Coríntios, fala das dificuldades da pregação do Evangelho: “Sofri muito. Fui encarcerado muitas vezes. Recebi açoites. Estive em perigo de morte. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove golpes, três vezes fui batido com varas. Fui apedrejado. Três vezes naufraguei, passando noite e dia perdido em alto mar. Passei medo. Passei fome. Passei sede.
Paulo fundou muitas comunidades cristãs. Expandiu o cristianismo pelo mundo afora. Escreveu quatorze cartas às Comunidades Cristãs. Foi Paulo uma das pilastras do cristianismo nascente.
Diz ele: “Pela graça de Deus sou o que sou. Combati o bom combate, guardei a fé, só me resta receber das mãos de Deus a coroa da justiça”.