Homilias
Homilia 373 Natal 2004
Homilia 373
Natal 2004
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Sempre de novo volta o Natal.
Por que? Porque ele está na alma e memória de milhões e bilhões de pessoas. A memória é algo vivo que alimenta a presença do passado.
De que fala o Natal? Fala do Antigo Testamento – Profetas – povo escolhido. É uma criança pobre nascida na gruta de Belém junto de Maria e José.
Esta criança vem de Deus e fala de Deus. Vem à terra dos homens. Esta criança oferece à terra a renovação da humanidade. Assim o céu ilumina, o céu encanta, o céu é proposta, é Terra Prometida. Sem pão o homem morre de fome. Sem Deus o homem mata o seu semelhante. Só da terra os homens não vivem e não constroem a cidade dos homens.
Volta o Natal. O Filho de Deus é alguém semelhante a nós, é do lar, é da casa, é doméstico.
O Filho de Deus tem um rosto igual ao nosso. Ele ouve, fala, ri, chora, canta, sente cansaço, frio, calor, fome, tristeza, alegria. Ele depende do alimento, moradia, vestuário. Quando pequeno, do colo de Maria e das mãos de José. Faz prodígios: cura doentes. Fez surdos ouvir, mudos falar, cegos verem. Alimenta os famintos. Doentes curados. Mortos ressuscitados. Todos dizem: “Ninguém jamais falou como este homem.”
Ele abraça todas as pessoas: pequenos e grandes, pobres e ricos, bons e maus, amigos e inimigos, justos e pecadores, cristãos e pagãos.
Sua palavra é de sabedoria. Sua voz é de libertação. Seu poder, de salvação.
O nascimento do Filho de Deus representa o encontro entre criatura e criador, e a história dos homens se fez História da Salvação.
A última palavra sobre a vida não é dos homens, é de Deus. Não é da criatura, é do Criador.
Todo mal deste mundo tem seus dias contados. A iniquidade é provisória, como a morte. O mal é vencido. O Natal projeta o homem não para uma moradia permanente neste mundo, mas, para além da Gruta. Somos herdeiros de uma moradia celeste. Ali habitará a nova humanidade.
Deus feito criança é a inauguração da nova vida entre os homens. Agora a terra dos homens não é só dos homens. É de Deus também. A criança divina do presépio não mostra a pequenez de Deus, mas sim o jeito de Deus de chegar mais perto da humanidade.