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Homilias

Homilia 340 Perdão

Homilia 340

Perdão

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

Jesus Cristo tinha plena consciência das fragilidades e dos limites humanos desta vida (miséria – maldade). O relacionamento humano é muito instável, muito precário, e a conduta, o comportamento mudam da noite para o dia. Assim a vida é entremeada de tantos problemas, crises, fracassos, contradições, falhas, erros, tropeços e pecados.

Jesus Cristo sabia que a vida não é algo pronto, perfeito, acabado.

É praticamente impossível uma convivência humana sempre harmoniosa, sempre fraterna, sempre feliz, sempre pacífica. Hoje alguém é amigo, amanhã é inimigo. Hoje alguém ama, amanhã odeia. Hoje alguém está bem casado, amanhã está melhor ainda separado. Hoje alguém faz uma festa maior porque separou do que quando casou. E assim por diante.

Tem muitas pessoas que há muitos anos convivem muito bem. Mas, sustentar uma eterna amizade sem crises e conflitos é muito difícil para a maioria das pessoas. Por que?

Porque as pessoas são diferentes umas das outras. Não há duas pessoas iguais no mundo. As diferenças são físicas e espirituais. Cada um tem uma forma de pensamento, uma cultura, gênio, caráter, personalidade, convicções, valores, uma visão das coisas.

Por isto muitas vezes surgem choques, desentendimentos, confrontos, ofensas, inimizades, hostilidades, ódios e muitas vezes, mortes.

Conheço gente que guarda rancores e sentimentos de inimizade a 10, 20, 30 anos ou mais e não consegue perdoar, nem esquecer, nem superar esta situação. Isto é terrível porque machuca todo mundo.

O próprio Cristo teve amigos e inimigos. Teve discussões, desavenças com autoridades, escribas e fariseus, com Pilatos, com Herodes, com Sumos Sacerdotes, mesmo com os apóstolos, com Judas que não compreendeu mais o Cristo e o traiu por algumas moedas. O Cristo ainda se indispôs com o próprio São Pedro, chamando-o de satanás. Lhe diz: “Retira-te daqui porque impedes os planos de Deus. És para mim uma pedra de tropeço.”

O Cristo tinha consciência da fraqueza e dos limites humanos das pessoas. Nem por isto o Cristo ficou brigado ou inimigo de São Pedro, nem de Judas.

Jesus Cristo reintegra São Pedro na sua convivência e na sua amizade. Diz uma palavra tão fantástica diante de seus carrascos na cruz: “Pai, perdoai-lhes, não sabem o que fazem.”

Jesus sendo profundo conhecedor da fraqueza humana e, sobretudo, que o mal e o pecado mata a convivência e que deve ser vencido; propõe uma doutrina de reintegração, de acolhimento, de perdão. Só não há perdão para quem não perdoa, para quem não quer a paz, para quem não quer a reconciliação.

Dizem que errar é humano.

Buscar propositadamente o erro é negar a própria racionalidade.

Dizem que amar é sublime, mas, perdoar é divino.