Homilias
Homilia 301 Jesus e os doentes
Homilia 301
Jesus e os doentes
A cura da sogra de Pedro
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Numa celebração religiosa estaremos sempre, de novo, diante da palavra de Deus. A palavra como fonte de vida e de esperança. Nós cremos em Deus e confiamos a Ele nossa vida.
A primeira leitura do livro de Jó nos mostra como esta vida humana é um bem frágil, pequeno, limitado, finito e que um dia acaba. A vida neste mundo vai acabar para todos, sem exceção. Acabou para Jesus Cristo também. Por sinal, viveu tão pouco: 33 anos apenas.
Tem gente que nasce morto. Viver um dia, uma semana, um mês, um ano, 20, 30, 50, 70, 100 anos. Um dia a vida vai acabar: Como? Quando? Onde? Não o sabemos. Deus o sabe. O certo é que vai acabar.
Tanta coisa neste mundo constrói a vida: o amor, a convivência, o perdão, a paz, a amizade, a cultura e todos os bens materiais bons dos quais a vida depende. Tanta coisa constrói a vida. Tanta coisa mata a vida. É só pensar.
A violência, a fome, o abandono, a pobreza, a miséria, desemprego, a droga, o desânimo, o desespero, os sentimentos negativos, etc... a perda da autoestima e assim por diante.
A falta de um sentido para a vida – mata a vida. Tanta coisa contra a vida.
Por isto muita gente perde a vida de uma forma precoce. Podia viver 50, 70 anos e vive 15, 20 anos a menos.
Nestas condições a vida não é algo bom. Não é um bem encantador, fascinante, alegre, mas, sem um sentido maior e uma condição mais digna – a vida é um fardo, um peso, um pesadelo, uma guerra, um calvário.
Tantas situações dramáticas chegam aqui nesta Capela. Nesta semana uma mulher jovem, 5 filhos, abandonada pelo marido. Luz atrasada 90 dias – água atrasada – aluguel atrasado 3 prestações. Se em três dias não pagasse, seria despejada. A filha maior, 12 anos. A mãe analfabeta. Fazer o que? Ir para onde? O que é a vida? O que é viver?
Quantos casos assim todos os dias.
Mesmo pagando um talão de água outro de luz. Mesmo pagando um mês de aluguel. E no mês seguinte?
O Evangelho de Marcos mostra Jesus junto as populações mais sofridas e marginalizadas. Elas não têm para onde ir. Não têm a quem pedir ajuda.
Jesus está no meio dos doentes.
A sogra de Pedro está doente e é curada.
Este milagre se espalhou como um incêndio, como uma ventania.
A cidade inteira se reuniu em frente à casa de Jesus. Muitas pessoas doentes e perturbadas. Jesus curou a todos devolvendo-lhes a saúde, o bem-estar, a alegria de viver. Jesus ali se identifica como Filho de Deus. Para Deus não há limite de poder. O seu poder é infinito. Se a enfermidade, a doença, pode matar a vida, Deus é aquele que cria vida nova e para sempre feliz.
As páginas do Evangelho estão cheias deste Deus que fez tantos milagres na Palestina há dois mil anos atrás e é o nosso Deus.
Vale a pena acreditarmos Nele.