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Homilias

Homilia 275 Advento e Catadores de Papel

Homilia 275

O Advento e Catadores de Papel

Frei Rui Guido Depiné o.f.m.

É chamado Advento este tempo que vem um pouco antes do Natal – 4 semanas. Isto significa que estamos a menos de um mês do Natal. Mais um Natal na nossa vida. Um dia foi o primeiro e uma dia será o último.

Feliz de quem celebra o Advento e o Natal – porque isto nos coloca diante do acontecimento histórico do nascimento do Menino Deus.

Advento então significa preparação, espera, expectativa, sonho, chegada. A sociedade busca símbolos natalinos: Presépios, arranjos de Natal, pinheirinhos, estrelas, anjos, pisca-piscas, decorações, músicas, etc.

Advento: chegada de alguém. Esperar alguém muito especial que está ausente por muito tempo mexe com o espírito humano.

Um noivo que espera a noiva.

Uma família que espera um filho que volta da guerra ou de uma longa viagem, onde leva uma preparação muito cuidadosa.

Assim é o povo de Deus que ao longo de todas as gerações, apesar de uma realidade humana tão desumana e sofrida por tantos males – insegurança, violência, fome – desemprego, injustiça, droga – guerras – criminalidade – decepções; apesar de tudo – o povo de Deus não desanima, não se deixa abater – não cansa, não desespera – volta sempre seus olhos para o alto – para dentro da história – dentro das profecias e aguarda a chegada deste novo Reino, acreditando num novo dia – num mundo melhor – numa terra prometida.

Há uma força maior que não permite a morte da esperança. Penso que uma imagem que retrata um pouco esta esperança humana é o esporte.

Um time de futebol, por melhor ou pior que seja, tem seus admiradores. Perca ou ganha, alguém continua fiel.

Se o time está prestes a ser rebaixado – se acredita até a última partida. E se for rebaixado, a esperança é que no ano que vem volte para a primeira divisão e um dia seja campeão.

Há um princípio de espírito que não morre nunca.

Catador de papel.

Um homem cheio de esperança. Um herói. Um lutador – corajoso. Um super-homem. Não conhece limites humanos.

Não mede esforços.

Não teme o frio, o calor, a chuva, a distância, a escuridão da noite – o desconforto, o sacrifício.

Ele não sabe se vai voltar – se não será assaltado, ferido, morto.

Não sabe se vai ganhar alguma coisa – 10 Reais – 15 Reais, mais ou menos. E os que nem papel podem catar porque não têm mãos ou pés.

Não sabe se vai encontrar a casa assaltada, roubada, incendiada.

Ele vai.

Ele acredita.

Se não der certo hoje, dá amanhã. Amanhã será melhor.

Tudo vale a pena, pela família, pela vida, por Deus.

Isto é Advento.