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Homilias

Homilia 24 A Morte

Homilia 24

A Morte

“Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?

Não mais está aqui. Ressuscitou como disse na Galileia.”

Assim falaram os anjos às mulheres que

na madrugada de Páscoa foram embalsamar o corpo de Jesus.

Minha saudação franciscana de Paz e Bem aos familiares de XXX e aos amigos que se fazem presente, neste momento de dor, de fé, de esperança e de despedida. É um gesto de grandeza de espírito ser solidário no sofrimento. É um gesto cristão partilhar a vida na adversidade.

Vivo dentro do Hospital São Roque – Piraquara, há 24 anos acompanhando tantas situações humanas.

Assisti muitas mortes. Nenhuma é igual a outra.

Cada uma é sempre marcante, única, singular.

Por que? Porque a vida é um bem diferente para cada um e a morte também. A morte é um fenômeno universal. Atinge tudo e todos sem exceção. Ela machuca porque nos separa. Leva embora alguém do nosso convívio. E leva para sempre, sem volta. Não há nada neste mundo que impeça o fim desta vida. E por melhor que seja alguém, chega o dia em que ele há de faltar.

Seja nosso pai, nossa mãe, nosso irmão, nosso amigo. Não existe o super homem que não seja vencido pelo tempo e não seja despojado de tudo. Nem poder, nem fortuna, nem sabedoria, nem espiritualidade impedem a caminhada para a eternidade. Tudo aqui é provisório. Não há moradia permanente para ninguém.

Os ponteiros do relógio batem o tempo igual para todos, tanto para o miserável em seu barraco como para um monarca em seu palácio. O cemitério é parada obrigatória mas não ponto final. É o limite entre dois mundos: o de cá e o de lá. Nada mais certo do que a nossa morte. Onde, quando e como só Deus o sabe. Mas, que vida apresentaremos à Deus, quando de volta à casa paterna? É uma questão pessoal conforme a nossa sintonia às páginas do Evangelho.

A morte diária nos mostra a precariedade, a fragilidade e a fugacidade desta vida.

A morte de outro é sempre aviso prévio: hoje ele, amanhã nós. E é tão fácil morrer. Por que? Porque a morte não está fora de nós, longe de nós, além ou aquém de nós. Ela está dentro de nós. Convive conosco. É irmã gêmea da vida. Nós queremos ser grandes e somos pequenos. Queremos ser livres e somos escravos. Queremos viver sempre e morremos. Assim o relógio da eternidade bate o tempo igual para todos independente da condição social, da forma de pensar e da maneira de viver.

Crer ou não crer, amar ou odiar, ser cristão ou não ser, faz a diferença. No leito da morte dizia Paulo Leminski: “Um dia esta vida será o depois desta vida.” Assim XXX chegou ao final de sua caminhada por este mundo afora.

Todos os sonhos, cálculos e projetos humanos ficam para trás.

À luz da descrença, com a morte tudo acaba.

À luz da fé, com a morte começa uma nova vida.

A partir de Jesus Cristo se inaugura uma nova esperança e a vida humana atinge sua plenitude. A morte não é mais o último ato sobre o ser humano. E o homem não foi projetado para ser aniquilado numa sepultura. Foi projetado para ir além das estrelas, além do sol. O sonho, a utopia maior da morte ser vencida pela vida, se concretiza no homem de Nazaré, na pessoa de Jesus Cristo, na madrugada da Páscoa. O capim não cresceu sobre seu túmulo. Não deu tempo. Ao terceiro dia Ele, triunfante, ressuscitou. Sua história é maior do que a história dos homens e sua conquista não é só sua, particular. É condividiva com todo seu povo também. E Ele diz: “Eu sou a ressureição e a vida. Todo aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá para sempre.”

XXXX descanse em paz e Deus te acompanhe ! (Esteja contigo).

“Mudei de endereço.

Estou no último andar.

Agora tenho uma visão diferente da vida.

É bom estar aqui.

Espero a todos para a grande festa.

Adeus.”

“Felizes aqueles a quem a morte encanta conforme a vontade de Deus, a estes não fará mal, a morte corporal”.