Homilias
Homilia 239 Cego de nascença
Homilia 239
Cego de nascença
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Andando Jesus certo dia pelos caminhos da Palestina acompanhado dos discípulos e muitas vezes de multidões, Jesus viu um homem cego de nascença.
Certamente estaria ali pedindo alguma esmola para matar a fome. Era ele um mendigo conhecido por muita gente.
Se ele estava ali, tinha a certeza de que não voltaria para casa de mãos vazias.
Não imaginava também, que neste dia a coleta seria diferente. Não seria em forma de esmola, mas da visão perfeita. O que ele nunca viu, agora veria. Não imaginava ele que o doador não seria alguém da vizinhança mas, sim Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Jesus fez um pouco de lama com a saliva e passou sobre os olhos do homem cego e lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O homem cego, não obstante sua deficiência e humilhação e sofrimento, era um homem de muita fé e muita esperança. Ele obedeceu sem questionar e ficou completamente curado.
Diante deste milagre os vizinhos espantados discutiam se era ele ou não, aquele homem cego e o levaram aos fariseus. Perguntaram-lhe: “Como tinha recuperado a visão”. E ele disse: “Um homem fez um pouco de lama. Passou em meus olhos e me mandou lavar na piscina de Siloé. Ali fiquei curado.” Ali se revela outra cegueira. A cegueira da alma – a cegueira do espírito, a cegueira do interior, da incredulidade das autoridades. Dizem eles: “Não podia este homem ter feito isto num sábado.” Perguntaram ao cego curado. “Que dizes tu deste homem?” “É um grande Profeta”.
Os judeus interrogaram seus pais sobre a paternidade deste homem. E eles responderam: “É nosso filho”.
Os judeus tinham combinado de expulsar quem declarasse Jesus um Profeta. Diante da convicção de que Jesus era o Messias – o homem outrora cego foi expulso da comunidade. Posteriormente Jesus o encontra e lhe pergunta: “Acreditas no Filho do Homem?” “Quem é ele, Senhor, para que eu possa acreditar nele?” Jesus disse: “Tu o estás vendo. É aquele que está falando contigo.” Exclamou o homem: “Eu creio Senhor” e prostrou-se diante de Jesus.
A cegueira dos olhos tem cura.
A cegueira do espírito não tem cura.
Cego não é aquele que não vê.
É aquele que não quer ver.