Homilias
Homilia 185 A cura do cego
PUBLICADO EM 27 10 2024
Homilia 185
A cura do cego
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Jesus está em Jericó. É o final de sua atividade pública e praticamente de sua vida. Está junto com os discípulos e com uma grande multidão de seguidores, amigos, simpatizantes.
Ele está a caminho de Jerusalém.
A beira do caminho um mendigo e cego pede esmola. Dentro da mentalidade judaica alguém pobre, deficiente ou doente é amaldiçoado por Deus e excluído do templo.
Esta multidão em volta de Jesus representa um contraste com o homem pobre que está sozinho, solitário e abandonado. Se ele quiser sobreviver, precisa mendigar seu pão a beira da estrada.
Passando Jesus por ali, haveria de ver este cego? Faria alguma coisa por ele? Não ficaria Ele escondido atrás da multidão? Desapercebido? Levaria para casa só algumas moedas como de costume todos os dias e amanhã estaria de volta para mendigar mais uma vez.
Quando ouviu dizer que Jesus estava passando ele se põe a gritar “- Jesus, filho de Davi, tenha pena de mim. ” Era um homem pobre, mendigo, menosprezado mas tinha o que pouca gente tinha: uma grande fé e confiança em Deus. Os outros enxergavam com os olhos. Ele enxergava o povo com sua alma, com seu espírito. Sem saber se Jesus estava perto ou longe, sem saber se ele ouviria os seus gritos, ele se põe a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tenha pena de mim. ”
Repreendido para que se calasse, ele continua gritando.
Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram “Coragem, levanta-te. Jesus te chama. ” O cego jogou o manto fora, deu um pulo e foi a Jesus.
Segue o diálogo: “Que queres que te faça. ” Ele respondeu: “Mestre, que eu veja. ”
Jesus lhe disse: “Vai. A tua fé te salvou. ”
Quantas vezes pela nossa fé, Deus nos salvou e quantas vezes ouvimos esta frase: “Coragem, levanta-te, Deus te chama. ”