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Homilias

Homilia 130 Sexta Feira Santa 2006

2006

Homilia 130

Sexta Feira Santa 2006

O mundo cristão celebra hoje o mistério do sofrimento humano, da paixão e morte de Jesus Cristo na cruz, no alto do Calvário. Morte decretada pelo Sinédrio, tribunal supremo de Jerusalém. Mostra o Drama do Calvário como foi crescendo a trama, a conspiração contra Jesus de Nazaré.

Ele depois de três anos de Vida Pública onde conquistara massas humanas vai perdendo espaço. Vai perdendo a popularidade, a amizade, vai perdendo o lugar nas Sinagogas, no Templo de Jerusalém e mesmo em Nazaré, sua terra natal. (louco).

Uma oposição cada vez mais forte vai envolvendo as mais altas autoridades de Jerusalém e multidões gritam pela morte de Jesus. Até Domingo de Ramos, há 4 dias atrás Ele era saudado, aplaudido, admirado como Salvador do mundo, como Messias, como Filho de Deus, como o Mestre de Israel, de tal forma que muita gente estendia sua túnica, suas vestes, ornamentavam o caminho.

Com ramos de oliveira, folhas de palmeiras e flores e gritavam ainda mais forte “Bendito aquele que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. ”

Por que Jesus foi condenado?

Porque por sua causa cegos veem, surdos ouvem, mudos falam, paralíticos andam, famintos se alimentam, crianças são acolhidas, multidões são abençoadas, doentes curados, pecados perdoados, mortos ressuscitam e o Reino de Deus implantado no meio das pessoas de boa vontade.

Por esta razão Ele deve morrer. Porque tinha Ele mais poder do que os soberanos deste mundo que O confundiram com um Rei qualquer. Ele usurparia o poder e os poderosos seriam destronados.

Assim Jesus perdeu o direito à vida. Sumariamente julgado, foi condenado e cruxificado. Os grandes deste mundo imaginavam que matar Jesus seria cruxificá-Lo, transpassa-Lo com a lança num cadáver. Matar Jesus seria sepultá-Lo e pôr lhe uma pedra grande sobre a sepultura. Vigiar seu túmulo. E nunca mais seria visto. Ninguém falaria seu nome ou acreditaria na sua História, na sua doutrina.

Só restava agora celebrar, dentro do mundo das trevas, a sua derrota, o seu aniquilamento.

Mas, madrugada de domingo, o túmulo emprestado de José de Arimateia, está vazio. Os lençóis de linho dobrados – os guardas em fuga.

E Ele está vivo.

Ficou demonstrado que no Reino de Deus não é quem lava as mãos que está certo. Não é o que trai quem é bem sucedido. Não é o prepotente que tem a última palavra e não é o que manda matar que vence e que ressuscita.

Quem vence é o condenado justo da Sexta-Feira Santa. A última palavra deste mundo não é dos homens, é de Deus.