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Homilias

Homilia 104 Cinzas

Homilia 104

Cinzas

Hoje, neste início de Quaresma, a Igreja escolhe o elemento cinza.

A cinza antes de ser cinza era uma forma de vida: árvore, tronco, folhas, flores, frutas, vegetação, etc.

Uma casa de madeira incendiada, um dia, era vida. Uma floresta incendiada, um dia era uma vida ou muitas vidas.

De repente tudo acabou e como restos, sobraram um pouco de cinza: sinal, vestígio de vida...

Hoje muitas pessoas mortas são cremadas. Um cadáver cremado se transforma numa caixinha de cinza. A cinza n. os mostra a fragilidade desta vida. A vida como um bem grandioso, como o maior tesouro. O que significa estar vivo, estar aqui, sentir, crer, amar, falar, ser amigo, ser solidário, etc.

A vida como algo fantástico mas que escapa das mãos, a vida como um bem que vai embora. E é tão fácil morrer. E todos todos estão na fila esperando a vez. E a vez chega. E no cemitério cabe todo mundo.

A Quaresma lembra que através das cinzas que neste mundo tudo acaba. Mas isto não deve nos levar ao desespero ou ao desencanto, mas, ao contrário. Devemos amar esta vida e dar-lhe um sentido bom. Cristão. De que vale viver neste mundo para se odiar? Que sentido o Cristo deu a sua vida: Cristo deu a vida o sentido da fraternidade, da partilha, da amizade, da paz, da esperança, da justiça e sobretudo da solidariedade humana. Ele mesmo diz: “Quem vive só para si perde a vida. Quem dedica sua vida, ganha sua vida para sempre”.

Com um pouco de cinza é feito um sinal na testa do cristão. Que sinal? O sinal da cruz. A cruz não é apenas um instrumento de dor e morte, mas, um sinal de vida e salvação. “Creia no Evangelho de Jesus Cristo e serás salvo.”

Isto significa que nós devemos sempre de novo abraçar a história de Jesus Cristo e fazer dela uma fonte de vida nova.