← Todos os escritos

Homilias

Homilia 101 Sexta feira Santa

PUBLICADO EM ABRIL 2023

Homilia 101

Sexta-feira Santa

O mundo cristão celebra hoje o mistério do sofrimento humano da Paixão e Morte de Jesus Cristo na cruz, no alto do Calvário. Morte injusta decretada pelo Sinédrio, Tribunal Supremo de Jerusalém. Mostra o drama do Calvário: como foi crescendo a trama, a conspiração contra Jesus de Nazaré. Ele, depois de três anos de vida pública, onde conquistara massas humanas com sua ternura, bondade e sabedoria; vai agora perdendo espaço. Vai perdendo a amizade, a popularidade. Vai perdendo o lugar na Sinagoga, no Templo de Jerusalém, e mesmo em Nazaré sua cidade natal. Era visto como louco.

Uma oposição crescente vai envolvendo as mais altas autoridades de Jerusalém. Escribas, Fariseus, Saduceus, Sumos Sacerdotes e multidões gritam a sentença de morte contra Jesus. Até Domingo de Ramos, há 4 dias atrás, Ele era entusiasticamente saudado, invocado, escoltado, aplaudido, admirado como Salvador do mundo, como Messias, como Filho de Deus, como Mestre de Israel; de tal forma que muita gente estendia sua túnica, suas vestes. Outros ornamentavam o caminho com ramos de oliveira, folhas de palmeiras, com flores e gritavam ainda mais forte: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor – Hosana nas alturas”.

Por que Jesus foi condenado?

Porque por sua causa cegos veem, surdos ouvem, mudos falam, paralíticos andam, famintos se alimentam, crianças são acolhidas, multidões são abençoadas, doentes curados, pecados perdoados, mortos ressuscitados. E o Reino de Deus implantado no meio das pessoas de boa vontade.

Por estas razões Ele deve morrer.

Porque tinha Ele mais poder do que os soberanos deste mundo que O confundiram com um Rei qualquer.

Ele usurparia o poder.

Os poderosos seriam destronados.

Assim Jesus perdeu o direito à vida. Sumariamente julgado, foi condenado e crucificado. Os grandes deste mundo imaginavam que matar Jesus seria crucificá-Lo, transpassa-Lo com uma lança, sepultar o seu cadáver. Pôr uma grande pedra sobre sua sepultura. Vigiar seu túmulo. Nunca mais seria visto. Ninguém mais falaria Seu nome. Ninguém mais acreditaria na Sua história e na Sua doutrina.

Só restava agora celebrar, dentro do mundo das trevas, a sua derrota e seu desaparecimento, seu aniquilamento. Mas, na madrugada de domingo, o túmulo emprestado por José de Arimatéia, está vazio, os lençóis de linho dobrados. Os guardas em fuga. E Ele está vivo. Ficou demonstrado que no Reino de Deus, não é aquele que lava as mãos que está certo. Não é aquele que trai que é sábio. Não é o prepotente que tem a última palavra. E não é o que manda matar que vence. Não é o carrasco que ressuscita.

Quem vence é o condenado e justo da Sexta-Feira Santa.

A última palavra deste mundo não é dos homens, mas, sim de Deus.