Escritos do Frei Rui
Frei Hipólito
Frei Hipólito Martendal foi guardião da Paróquia Bom Jesus dos Perdões em Curitiba, por quase 9 anos e teve uma grande convivência com o Frei Rui. É formado em Filosofia, Teologia e Psicologia e autor do livro “O Caminho da Fé – Roteiro de estudo e reflexão”, publicado pela Editora Vozes, inspirado no curso “Escola da Fé”, ministrado na Paróquia Santo Antônio do Pari, em São Paulo. Atualmente ele trabalha em Santos, na Fraternidade Santo Antonio do Valongo.
Depoimento do Frei Hipólito Martendal sobre o Frei Rui Depiné
Frei Rui Depiné. Eu não tive convivência com ele durante o tempo de formação, mas tive uma longa convivência durante quase 9 anos em Curitiba. Ele morava no Sanatório (Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, em Piraquara), e eu era superior dele, eu era guardião do Convento Bom Jesus em Curitiba. Ele não falhava nas nossas reuniões, quando a gente tinha Assembleia mensal ou qualquer outro evento mais importante, ele estava presente. E uma presença sempre bem-vinda, toda comunidade gostava muito dele. O Rui foi, realmente, um dos Frades que deu certo em todos os sentidos da palavra. Escolheu trabalhar com os pequenos e foi com eles que viveu e deu a sua vida. Só deixou quando a falta de saúde não permitiu mais. Característica do Frei Rui: em primeiro lugar, uma grande riqueza espiritual. Era o Frade Franciscano, eu diria, um dos mais franciscanos que eu já conheci até hoje. Humilde, simples, natural e prestativo até o extremo. Se ele se dispunha, (e sempre estava disposto), a ajudar alguém, mesmo a gente como Frade, se precisasse de alguma coisa, alguma ajuda dele; o Frei Rui se desdobrava. Grande homem de Deus. Num pequeno sítio, uma pequena chácara, que ele tinha na raiz da Serra de vocês, lá no litoral (Morretes – Chácara São Francisco) ele tinha bananal, ele tinha cana, as vezes fazia melado. Ele as vezes me convidava para ir com ele lá no sítio para espairecer e conversar. Ele era um grande conversador. Um detalhe que talvez eu não saiba se vocês têm notícia, o Frei Rui tinha uma memória monumental para guardar textos e ele tinha uma capacidade muito boa declamatória. Para declamar versos ou poesias etc., ele era muito bom. Ele tinha uma alma romântica, uma alma poética. Apesar de trabalhar naquela miséria, naquela situação, com tantas pessoas sofrendo em volta dia e noite. Aliás, dia e noite. Ele não tinha horário. O horário dele era a necessidade do irmão. Qualquer hora que alguém chamasse, ele atendia. Então, meus caros, o Rui deixou, neste sentido, um vazio. Não acredito que tão cedo surja um outro capaz de ser tão identificado com os doentes como ele foi. Na vida eterna, sem dúvida nenhuma, no juízo final, (Capítulo 25 de São Mateus), ele passa brilhantemente pelo interrogatório, se é que a gente pode falar em interrogatório. Mas vamos imaginar que seja de fato um juízo onde perguntas são feitas diretas ao cristão, ao discípulo de Jesus. O Rui foi um grande discípulo de Jesus. Foi um grande seguidor do Evangelho e foi um grande Frade Franciscano. Aliás, a vida franciscana tem esta característica básica. A Regra e a vida dos Frades Menores é viver o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, São Francisco começou a sua regra. Ele apresentou ao Papa e teve aprovação. Então, meus caros, Dóris eu sei que você, de vez em quando estava lá para os lados do Rui. Então leva esta mensagem para o grupo dos que se interessam pela história e pela memória do nosso irmão Frei Rui. Que Deus proteja vocês e que vocês, sobretudo, estejam dispostos a imitar um pouco daquilo que o Frei Rui foi. Deus ilumine e proteja. Amém. Um grande abraço.
Frei Hipólito Martendal o.f.m.
Frei Rui Depiné o.f.m.
Fraternidade Santo Antonio do Valongo em Santos - SP
Paróquia Bom Jesus dos Perdões em Curitiba – PR
Capela São Roque – Piraquara - PR
Jardim da Capela São Roque com a Gruta de Nossa Senhora ao fundo em Piraquara – PR
100965011430
Torre da Capela São Roque em Piraquara – PR