Escritos do Frei Rui
Favela
Favela
Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Vivo na rua, na chuva, no frio, no calor.
A família é pobre. A mãe é doente. O pai é drogado.
Sem comida, muitas vezes. Sem um gesto de amor.
Nem sempre tem agasalho ou um mísero trocado.
Pés no chão. Lama, esgoto, lixo. Quanta dor.
Quanto sentimento morto, escondido, abafado.
Quanta coisa sem vida, sem luz, sem cor.
Quantas vezes penso neste povo sofrido e abandonado.
Vendo este povo, parece ter sido abandonado.
Assim é um pouco a rotina na favela.
Quem ali vive sente na alma o Calvário.
A nós não basta olhar o mundo só pela janela.
É preciso transpor este caos diário.
Foi o Seu sangue que lavou este chão.
E aqui celebrou parte da Sua Paixão e Redenção.
É preciso caminhar junto. Superar o caos diário.
É preciso compartilhar a mesma fé.
Porque o rosto de todos é o rosto de Jesus de Nazaré.