Homilias
Caderno 2 Homilia 2 4o domingo da Quaresma
Caderno 2
Homilia 2
4º. Domingo da Quaresma
A Fraternidade e os Encarcerados
Para lembrar um pouco o pensamento de domingo passado.
O que se esconde por trás da figura do encarcerado?
Destes milhares e milhares de presos, de condenados por processos, por tribunais, pela lei, a tantos e tantos anos de prisão.
Certamente há algum aspecto de violência, de desordem, de criminalidade.
Lembrávamos que por trás de tantos encarcerados há toda uma onda, aspecto, de violência como assaltos, assassinatos, sequestros, roubos, furtos, latrocínios, prostituição, estupros, homicídios, drogas, trafico disto e daquilo, atentados, chacinas, alcoolismo, adultério, infidelidade, ameaças, crimes mais leves, crimes mais bárbaros cometidos contra as leis e contra a sociedade.
Vimos como uma das indústrias que mais crescem é da segurança – muros, portões eletrônicos – alarmes, etc.
Quanto mais pobre o cidadão, maior a chance de ser a próxima vítima e o próximo cadáver – porque é no meio de populações pobres e miseráveis, que mais se verifica a violência. E lá a autoridade não chega. Quando chega, em geral, não é para resolver os problemas, é por outras razões.
O que fazer com um cidadão que comete uma violência contra a sociedade?
Pode ficar solto, livre e impune?
- muitos dizem que deveria haver pena de morte
- que deveriam ser torturados
- que deveriam apodrecer nas cadeias
- que deveriam trabalhar até o fim da vida para pagar o que cometeram.
São respostas.
Presos vivem em condições precárias, sub-humanas, muitas vezes sofrendo todos os mal tratos, humilhações, afrontas e torturas. Superpopulação. Nem animais sofrem tanto.
O presídio deveria ter esta finalidade de reeducar, de regenerar e proteger a sociedade e reintegrar aos valores da vida.
Hoje num mundo consumista, materialista, utilitarista e descartável, onde a vida vale menos que um utensílio, menos que uma panela, que um relógio e que uma mercadoria – onde o pobre, a criança, não valem nada porque não produzem – onde o doente é um estorvo – onde o idoso e o aposentado são imprestáveis porque também não produzem – onde as leis não são para todos e onde os direitos humanos são violados. Onde os governos e tribunais pouco governam e pouco legislam. A violência se tornou uma espécie de epidemia, espécie de câncer que se alastra sempre mais, levando medo a todas as classes onde ninguém mais está a salvo.
Crescendo a violência, cresce o número dos encarcerados.
Fica o lembrete da Igreja.
A fraternidade e os encarcerados.
A Igreja propõe a palavra de Deus – o Evangelho – a vida de Jesus Cristo como base para a convivência humana.
A leitura nos diz que grande riqueza que Deus nos transmite com sua graça.
O Evangelho diz que Deus amou tanto este mundo que mandou seu próprio filho.