← Todos os escritos

Homilias

Caderno 19 Homilia 21 Quinta-Feira Santa

PUBLICADO EM 28/03/2024

E

EM 02/04/2026

Caderno 19

Homilia 21

Quinta Feira Santa

Dentre os acontecimentos últimos que marcam a vida de Jesus Cristo – está a Quinta-Feira Santa. É o penúltimo dia da vida Dele. Ele tem consciência disto. Sabia que não chegaria ao fim da semana. Isto não O desespera – não O desanima. Embora fosse muito normal deixar transparecer este drama.

Ele continua Sua obra – Sua Missão – acompanhado do pequeno grupo de discípulos.

E não os abandona nem mesmo na véspera de sua crucificação – nem mesmo sabendo que poucas horas depois estaria crucificado não como filho de Deus – não como o Salvador – o Messias – mas como um ladrão – como malfeitor – como um condenado – desordeiro.

Tudo isto não O impede de transmitir-lhes as últimas lições – os últimos ensinamentos – os últimos gestos.

A traição de um deles, de um amigo – de um discípulo – de um apóstolo, não O perturba – não O constrange – não O aniquila e Ele não reluta em tomar a última ceia com todos eles – mesmo com Judas.

Jesus Cristo queria celebrar a Ceia Pascal – a grande festa dos Judeus onde eles comemoram a libertação do Egito.

O Cordeiro Pascal era morto e preparado na Sexta-Feira Santa – no Sábado era a Ceia (sábado é o domingo dos Judeus).

Jesus Cristo seria morto no mesmo dia em que os Judeus matavam o Cordeiro Pascal. (Cristo substituiu o Cordeiro Pascal – pelo seu próprio corpo). E os Cristãos celebrariam a Páscoa de agora em diante – não mais no sábado, mas no domingo – lembrando a ressurreição de Jesus Cristo.

Jesus Cristo queria agora celebrar com os seus a Ceia Pascal, mesmo com Judas – e mesmo sendo quinta-feira, não o dia tradicional, o dia oficial.

Jesus Cristo queria transmitir ao pequeno grupo, ainda, alguns ensinamentos. Este pão e vinho seriam para eles, mesmo depois de morto – a Sua memória, a Sua lembrança, o Seu gesto – a Sua história, a Sua oração, a Sua bênção, a Sua despedida – a Sua presença no meio deles.

Durante a ceia, Jesus pensou que poderia ainda fazer um pouco mais.

Deveria fazer tudo hoje, nesta quinta-feira, pois amanhã seria tarde demais.

Pensou Jesus em lavar os pés de seus discípulos.

Nos países do Oriente, onde se andava descalço – ou com uma simples sandália, as estradas eram poeirentas – os desertos imensos – o clima muito quente – a água escassa; lavar os pés era um sinal de hospitalidade – de boas-vindas – de acolhimento – de cortesia – humildade – também de higiene, submissão.

Era um costume que vinha sendo transmitido de geração em geração pelos patriarcas hebreus. Isto desde Abraão, Isaque, Jacó.

Era serviço dos escravos, dos empregados – dos servos.

Era uma honra para um escravo lavar os pés do patrão – ou de um ilustre visitante.

Jamais passou pela cabeça de um sumo sacerdote ou de um rabino, lavar os pés de alguém. Isto seria humilhante ou rebaixamento.

O Cristo, nesta hora, se esvaziou – se despojou de Sua condição divina, se fez escravo – servo - e lavou os pés de seus discípulos.

Ele conclui o seu gesto com este conselho:

“Vocês compreendem o que acabo de fazer? Vocês me chamam de Mestre e Senhor. Está certo. Eu sou mesmo. Pois bem. Eu que sou o Mestre e Senhor lavei os pés de vocês. Por isto também vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu dei o exemplo para que vocês façam a mesma coisa.”

Somos uma parcela deste grupo primitivo – histórico – que esteve no cenáculo – junto com o Cristo. Este mesmo Cristo espera a mesma coisa de nós.

Enquanto houver homens ... e muitos e muitos outros aqui, na vigília, a memória do Cristo continuará viva.