Homilias
Caderno 12 Homilia 13 Advento
Caderno 12
Homilia 13
Advento
A partir deste domingo começa a Igreja a preparar-se para comemorar o Natal. É o advento. O advento que lembra o fato histórico – o nascimento do Cristo na Gruta de Belém.
É no meio de um povo milenar que nunca teve uma terra fixa que sempre viveu nômade de um canto para outro da Palestina.
E dentro deste povo ora livre ora escravo – por vezes unido por vezes disperso, é no meio deste povo empurrado para fora de suas terras, espoliados dos seus rebanhos e dos seus bens, é no meio do exílio, da fome, da morte, da violência, das perseguições, da dor, da desgraça que nasce o sentimento de união e a consciência de ser um povo que pode se libertar de tantos males.
Dali nasce também o sentimento, o grito, a palavra a esperança de um Messias.
Corria de boca em boca, por entre as 12 tribos de Israel “Um dia virá para todos nós o Salvador”.
Assim nasceram os Patriarcas, os Profetas, o Antigo Testamento – Deus se mostrando.
O Reino de Deus seria implantado neste mundo e Israel seria seu povo escolhido.
Neste tempo a esperança da ordem universal, de paz, de harmonia criada pelos homens era impossível.
“Uma vida cheia de esperança é como um firmamento cheio de estrelas. ”
O Messias virá armar sua tenda no meio de nós.
Os homens de todos os cantos e lugares enganavam, exploravam e matavam seu semelhante.
Só o Messias poderia levar seu povo de volta à Terra prometida.
Esta paixão, esta ansiedade, sede, por um Messias era tanta, consciência coletiva nacional, que qualquer pessoa do povo judeu esperava encontrar o Messias e isto os próprios Evangelhos o provam.
Quando João Batista pregava nas margens do Jordão, sacerdotes levitas vieram lhe perguntar se ele não era o Messias.
André – um dia correu ao encontro de Simão Pedro e lhe disse: Eu encontrei o Messias...
A mulher samaritana a beira do Poço de Jacó disse ao estranho que lá estava: “Eu sei que o Messias deve vir e quando ele vier, salvará seu povo.”
Povo judeu, cansado da vida , estafado, ansioso, destemido.
A chegada de um Messias – de um libertador.
Para muitos seria um homem poderoso e forte que haveria de vencer todos, capaz de empunhar a espada e combater os inimigos mais fortes que Sansão, que Judas Macabeu.
Todos se dobrariam diante do seu poder.
Para um fariseu – (eram os sábios estudados, doutores da lei) – o Messias era um grande Mestre que viria explicar a santa Lei de Moisés.
Para o povo humilde o Messias, o Cristo, seria um Santo de Deus, um homem bom, amigo de todos, que vinha ajudar, libertar dos conflitos do dia a dia.
Todos se perguntavam entre si quando viria o Messias.
Muitos diziam tê-lo encontrado.
Outros se apresentavam como falsos Messias que depois eram eliminados pelas autoridades.
O próprio João Batista era confundido com o Messias.