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Depoimento

Sonira Macarini

Quem conhece Sonira Macarini consegue compreender mais profundamente a frase bíblica que o Frei Rui sempre citava: “Quem tem um amigo, tem um tesouro.”

A amizade entre Sonira Macarini, sua família, e o Frei Rui; durou 40 anos.

Começou quando o saudoso marido de Sonira, o Advogado Dr. Paulo Macarini, foi contratado para fazer um Inventário. Uma senhora que falecera havia deixado uma determinada quantia para as obras do Frei Rui. O Dr. Paulo ligou para o Frei informando a questão e ele respondeu que qualquer dia iria até o escritório. Mas o Dr. Paulo disse que não. Havia de ser naquele mesmo dia porque o Inventário precisava ser encerrado. E o Frei Rui obedeceu. Depois de acertada a documentação, Dr. Paulo chamou o Frei Rui para almoçar em sua casa e avisou a Sonira que o Frei não comia carne. E Sonira, exímia cozinheira, aproveitou tudo o que tinha em casa sem carne, e fez um delicioso almoço para eles. A partir daí, o tesouro desta grande amizade, só aumentou. Uma amizade pessoal, muito próxima. Eram confidentes e o Frei Rui tinha absoluta confiança neles e a recíproca era verdadeira.

Em 1975, os Macarini compraram uma chácara em Piraquara e todo final de semana iam para lá. Ali, Sonira assava deliciosas cucas e sempre levava para o Frei Rui e as Irmãs. Eles se viam praticamente todas as semanas. Sempre iam a Missa no São Roque.

Sonira se lembra sempre com muito carinho do Frei Rui e de todas as Irmãs que lá moravam: Irmã Inês, Irmã Natalícia, Irmã Rosa, Irmã Ada, Irmã Lucila, Irmã Egydia e todas as demais, porque eram muitas.

Frei Rui batizou todos os netos de Sonira e Paulo Macarini.

Sempre iam em uma chácara em Morretes, com o Frei Rui, fazer doce de goiaba. Tinha muita fruta nessa chácara. O Frei cuidava e plantava tudo, colhia e levava ao Hospital. Ele construiu um lago onde tinham peixes e plantou as goiabeiras em volta do lago de forma que, se as goiabas caíssem, não se perderiam. Seriam alimentos para os peixes. Era um homem muito inteligente.

Quando o pai do Frei Rui faleceu, Sonira e Paulo Macarini foram para Rodeio, na casa da família do Frei Rui. Ele cuidava muito das nascentes d’água do terreno da casa. E contou que, quando criança, trabalhavam na roça com enxada para plantar e fazia muito calor no verão. E eles não bebiam água para honrar o Cristo que, com Seu sofrimento, salvou a humanidade. O Frei Rui era alegre, nunca cobrou postura radical de ninguém, era ecumênico; mas quem o conheceu de forma mais próxima e pessoal, sabia que ele fazia muita penitência. Talvez seja por isso que ele irradiava uma luz de santidade.

Sempre que ia a casa de Sonira, Frei Rui se encantava com os passarinhos na varanda. Sonira diz que ele mesmo, Frei Rui, lhe lembrava um passarinho: pela sua humildade, inocência e aparente fragilidade. Aparente porque por dentro, era um gigante da fé, inabalável no cumprimento de sua missão. Por exemplo, o Frei Rui recebia todos os anos um caminhão grande de sardinhas que vinham do litoral. Subia no caminhão com uma bacia e passava a noite inteira distribuindo as sardinhas para as famílias carentes da região. Era uma bacia de sardinha por família. De manhã, ele estava todo dolorido. Mal conseguia se mexer devido ao esforço pessoal que fazia. Era inocente e inofensivo como um passarinho. Mas forte e destemido em fazer o bem para todos, especialmente os mais necessitados. Uma verdadeira fortaleza. Um homem cheio do Espírito Santo.

O Frei Rui sempre fazia Missa para as voluntárias das Oficinas de Santa Rita. Era muito meticuloso para fazer as homilias. Com cuidado e certo nervosismo, ele abrilhantava todo trabalho tão bonito dessas Oficinas, com suas palavras elegantes e cheias de sabedoria.

Uma vez foram visitar a Aldeia de Índios que moram nas montanhas de Piraquara. Na volta, a Kombi, cheia de senhoras, teve um problema. O pneu furou e o Frei Rui não tinha macaco. E a tarde já caía, a noite começava a chegar e todas ficaram preocupadas. Mas... Sonira não sabe bem como, o Frei Rui arrumou o pneu da Kombi e todos chegaram sãos e salvos. Pequenos milagres que esse Santo fazia.

Outra vez aconteceu de a empresa Parati doar balas em bloco para o Frei Rui. Blocos imensos. Eram tão grandes que o Frei teve que cortar com um machado. E cortou em blocos menores, mas mesmo assim, eram ainda muito grandes. Impossível comer de uma vez. Então ele viu um guri lambendo este bloco de balas tão grande, e perguntou: “Você vai comer tudo isso?”. O menino olhou bem para aquele grande bloco de bala, olhou bem para o Frei, e respondeu: “Até de tarde, acho que vou.”

Todas as quartas-feiras, Frei Rui ia jogar ping-pong com o Caetano Munhoz da Rocha. Uma vez ficou muito tarde para voltar para Piraquara, e ele resolveu pernoitar no Convento do Bom Jesus, na Praça Rui Barbosa. Como estava muito tarde, todos dormiam e ninguém atendeu a campainha. Então o Frei Rui resolveu pular a cerca do Convento quando apareceu um moço e, desconhecendo o fato do Frei Rui ser um Frade, falou: “Ei, esse ponto já é meu!”.

Uma época Sonira ficou doente. A filha, Ana Beatriz, fez uma promessa a Santa Rita de Cassia e hoje Sonira está saudável e trabalha fazendo enxovais para crianças recém-nascidas, que encaminha para as Oficinas de Santa Rita. Essas, por sua vez, distribuem em Maternidades, especialmente a Mater Dei, e diversas comunidades carentes. Trabalha todo dia, o dia todo. Em média, Sonira faz 16.200 peças de enxovais para recém-nascidos, por ano. É uma lutadora. Como o Frei Rui e como muitas pessoas tocadas pelo sentimento de solidariedade humana.

Preservar a memória do Frei Rui Guido Depiné o.f.m., é muito importante. Era um homem de Deus e hoje, com certeza, tem seu lugar garantido lá no céu. Deixou um legado que mudou a vida de muitas pessoas. Não será esquecido.

Para fazer este depoimento, junto com Sonira estava a sua querida amiga, Rita Lacolla.

Gratidão pelo tempo dispensado, pela gentileza e pela atenção.

Paz e Bem!

Sonira Macarini

O casal Paulo e Sonira Macarini

Paulo e Sonira em suas Bodas de Ouro

Frei Rui concelebrando as Bodas de Ouro do casal Macarini

Sonira com o grande amigo Frei Rui

Sonira visitou o Frei Rui em Bragança Paulista: amigos para sempre!

Enxovais que Sonira faz para os recém-nascidos

São muitos os enxovais!

Oficina onde Sonira trabalha

Todo dia, o dia todo!