Depoimento
Salete Scarante Gaio Juliatto
Todos os anos são realizadas pela Capela São Roque – Legado do Frei Rui, três grandes festas para crianças. A preparação destas festas demanda muitas atividades, muito trabalho. A Edna Dias estava em um grande distribuidor comprando doces e brinquedos para a Festa das Crianças de 2025, e foi para a fila do caixa. Lá ela comentou com a irmã sobre a festa do Frei Rui. Para sua surpresa, a senhora que estava na frente dela na fila, conhecia o Frei Rui de longa data e nos deu este belo depoimento.
Depoimento de Salete Scarante Gaio Juliatto
Frei Rui era o fermento
Eu conheci o Frei Rui há uns quarenta anos. Ele ia na nossa chácara. Meu pai plantava verduras, legumes, frutas e o Frei Rui ia lá buscar doação; para levar aos pobres. Ia sempre. Buscava muita doação. Ele passava em Morretes, depois ia na nossa chácara, e voltava com a Kombi lotada e levava tudo para as famílias pobres.
Ele celebrou o meu casamento, o casamento do meu irmão, o batizado dos meus filhos. Ele também estava junto conosco nas exéquias do meu irmão que faleceu aos 18 anos.
Logo depois do meu casamento, a minha casa foi arrombada e o ladrão roubou muita coisa, inclusive até o anel do noivado, o que me deixou muito chateada. E eu fui falar com o Frei Rui e ele me disse:
- “Se até no Reino de Deus entrou ladrão, porque não iria entrar na sua casa?
Acabei dando muita risada. [Frei Rui se referia a São Dimas, o ladrão que estava na cruz, ao lado de Jesus, e que foi perdoado pela sua fé. Cristo disse que o levaria para o céu].
Um dia entrei na sala onde ele atendia as pessoas e vi a mesa dele bagunçada e falei: “Frei Rui, mas que bagunça é esta?” Ele respondeu: “Não se incomode com a minha santa bagunça. Eu sei o que tem aqui”. Demos risadas também. O Frei Rui era alegria e humildade.
Nós íamos sempre lá na Capela São Roque. Nós cantávamos no Coral. Tínhamos um grupo de amigos e ele sempre nos convidava para cantar nas Missas. E nós íamos. Éramos jovens, tínhamos entre 18 a 24 anos. Convivemos muito com o Frei Rui e sempre era uma alegria e um aprendizado.
Ficamos muito emocionados quando fomos num Teatro e era uma apresentação das crianças cantando. Crianças que cantavam a partir das atividades desenvolvidas pelo Frei Rui. Foi muito lindo. Ele estava lá no Teatro. Era fruto do seu trabalho de muitos e muitos anos. Frei Rui amava música e as crianças estavam lá cantando lindamente.
O Frei Rui significou e significa para mim fermento. A massa não cresce se não tiver fermento. E basta um pouquinho de fermento para crescer toda a massa. Ele era o fermento que movimentava toda a massa. O Frei era humilde e, de pouquinho em pouquinho, ele transformou para melhor a vida de milhares de famílias.
O Frei Rui vivia para os pobres. Ele era pobre. Vivia na humildade e se privou de muitas coisas para servir aos que mais precisavam. Frei Rui deixou saudades. Não será esquecido.
Frei Rui celebrando o casamento de Salete e seu marido Élcio Roberto Julliatto
Uma linda cerimônia na Capela São Roque
Frei Rui batizando o primeiro filho de Salete e Élcio: Douglas Roberto Juliatto.
Os padrinhos foram José Antônio Scarante Gaio e sua esposa Vânia Luciane Gaio – casal cujo casamento também foi celebrado pelo Frei Rui