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Depoimento

Rosane Paiano

Frei Rui: um anjo iluminado

Meu nome é Rosane Paiano, conheci o Frei Rui logo que ele veio para a Capelania São Roque, há mais de 36 anos. Frei Rui era um anjo iluminado, bondoso, que Graças a Deus tive oportunidade de conhecer e conviver.

Eu morei em Piraquara, no Jardim Santa Mônica, bem próximo da Capela São Roque. Até hoje minha família mora lá: mãe, filha, irmãos. Com frequência eu ia às Missas Dominicais, novenas, procissões, apresentações da Paixão de Cristo. Não esquecendo da festa mais esperada por todos: a famosa Festa de São Roque.

Frei Rui era muito envolvido com os doentes internos do hospital e com a comunidade aos arredores. Nunca pensou em si. A caridade fazia parte da sua existência, visitando doentes ou enlutados, levando sempre uma palavra de paz e conforto. Doava pães, bolos, peixes, brinquedos, cadernos, materiais de construção. Ajudava a todos os que o procuravam. Dava alimentos para o corpo e espiritual. Era um exemplo de bondade e amor a ser seguido. As Missas que ele celebrava na Capela eram lotadas. Seus sermões eram um acalento para a alma!

Eu tinha um contato próximo. Ele era amigo, conselheiro, mestre, um pai cuidadoso sempre orientando seus filhos espirituais. Com seus exemplos aprendi lições para a vida num todo!

Ele batizou minha filha, que cresceu participando das Missas e apresentações na Semana Santa na Capela São Roque.

Eu sou eternamente grata por tudo que fez por mim, num dos momentos mais difíceis na minha vida, quando adoeci tive um tumor cerebral. Eu estava muito mal. Fiquei internada 20 dias no hospital para realização da cirurgia, onde soube de todos os riscos e sequelas que poderia ter após a cirurgia.

Ao sair do hospital, fiquei com medo, insegura com todos os riscos! Fui orientada por uma amiga da minha mãe, que era funcionária do Hospital São Roque, a consultar com Dr. Ricardo Ramina.

A minha esperança era tratamento sem cirurgia, mas não havia. O Dr. Ramina me falou que faria a minha cirurgia e que eu iria ficar curada e sem sequelas! Me deu os papeis para o internamento, mas ao chegar no hospital, soube que o mesmo tinha encerrado o convênio com o SUS. Fiquei tão entristecida que até pensei em desistir da cirurgia! Nesse momento de desespero, acabei me separando do pai da minha filha. Já não estávamos bem e com a minha doença, foi o fim. Saí de casa com minha filha e fui morar com minha mãe.

Eu sempre gostei de ir na Capela pois é um lugar abençoado. Gostava de ficar no silêncio e na paz, falando com Deus, com nossa Santa Mãe do Céu. Chorava muito. Uma tarde eu estava tão desolada que fui à Capela e nesse dia, por um milagre, aquele anjo iluminado que era o Frei Rui estava em sua sala. Ele me acolheu e me ouviu. Ninguém saía de lá sem ter solução para seu problema. Contei a ele tudo o que estava acontecendo e ele me disse: “Vamos rezar e vamos encontrar uma solução”.

Perguntou quanto iria custar a cirurgia. Eu nem tinha ideia do valor. Procurei saber. Falei com o Dr. Ramina, que disse que ele não cobraria nada para realizar a cirurgia, mas que eu deveria ver com o hospital os valores para 3 diárias. Peguei o orçamento e levei para o Frei Rui. Ele pensou e disse: “Vamos fazer uma campanha para arrecadar esse valor”. E assim foi feito.

Muitas pessoas da vizinhança ajudaram com o pouco que conseguiram. Mas faltava muito para completar o valor. Um dia o Frei Rui foi na minha casa e falou: “Acho que não vamos conseguir”. Fiquei em silêncio. Então ele abriu um sorriso e disse que, através da Associação Beneficente São Roque, alguém doou uma boa quantia e que iria conseguir o restante! Então levamos ao hospital a quantia arrecadada, que foi dada como calção de entrada. A Prefeitura, na época, pagou o restante direto para o hospital! Graças a Deus a cirurgia foi um sucesso, sem sequelas.

Saí do hospital com ânimo para estudar enfermagem para retribuir um pouco de tudo que recebi, com conhecimento, dedicação e amor. Me formei e trabalhei vários anos na área, principalmente atendendo pacientes na UTI.

Não sei o porquê, mas depois de três anos teve recidiva do tumor. Fiz outra cirurgia e radioterapia para conter o crescimento do tumor. Como sempre, o Frei Rui me apoiando. No total fiz cinco cirurgias cerebrais, devido as recidivas. Foram nos anos de 1995, 1998, 2001, 2004 e 2016.  Em 2001 fui para São Paulo fazer a cirurgia na Unicamp. Tive uma hemorragia e fiquei 14 dias internada. Com a Graça de Deus, muitas orações e cuidados médicos, fiquei bem! Mais uma superação. E sempre em contato com o Frei. Eu evitava procurar ele depois das Missas pois sempre tinham muitas pessoas aguardando para falar com ele. Então, falávamos por telefone. Quando ele podia, passava em minha casa.

Lembro que após uma dessas cirurgias, ele me levou para retirar os pontos. Saindo do hospital, perguntou se eu estava bem porque ele gostaria de aproveitar a viagem para buscar uma doação. Eu aceitei ir junto e quando chegamos ao local, o Frei Rui ficou chateado porque queria agradecer o doador, mas o mesmo deixou as doações na portaria e não permitiu que ele subisse ao apartamento. Penso eu que esse doador perdeu a oportunidade de conhecer a pessoa mais bondosa, incrível que eu conheci! Um anjo iluminado!

Nesse mesmo dia, no retorno para casa, passamos numa frutaria e ele disse: “Vou comprar algumas frutas que gosto”. Ao adentrar disse: “Pegue algumas que você gosta também”. Eu agradeci e disse que não precisava. Ao que ele pediu: “Então me ajude a escolher de tudo um pouco.” Quando cheguei em casa, ele disse: “Todas essas frutas são para você e sua filha. Você precisa para se restabelecer com saúde.”

Em 2016 fiz novamente uma cirurgia. Mesmo por telefone, sentia próxima ao Frei Rui. Suas palavras acalentavam meu coração. E deu tudo certo.

Minha tristeza é não ter ido visitá-lo quando ele estava doente.  Meu marido tinha feito transplante de medula, e até hoje está em tratamento com quimioterapia. Está aguardando novo transplante!

Entretanto, falei com o Frei Rui por telefone quando ele estava em Bragança Paulista. Antes de falar com ele, o Frei que atendeu o telefone me orientou que talvez ele não se lembrasse de mim.

Nossa!!! Eu fiquei tão feliz de ouvir sua voz suave. Eu disse: “Frei, o senhor se lembra de mim? Sou a Rosane de São José”. Era assim que ele me chamava, depois que vim morar em São José dos Pinhais. Assim que o Frei Rui atendeu falou: “Vamos rezar!” O Frei Rui, mesmo doente, em sua memória estava gravado o que sempre fez: ajudar o próximo. Me disse que tinha que levar uma máquina, alimentos que alguém havia pedido! Fiquei feliz por ter ouvido a voz dele, mesmo que talvez ele não tenha se lembrado de mim. E ele me deu uma bênção.

Frei Rui, anjo iluminado que Deus enviou para fazer o bem a todos que precisava, e não importava a religião que a pessoa tinha!

Participou também das minhas alegrias e conquistas. Eu refiz minha vida, me casei, e quando compramos nossa casa, ele veio abençoar, trouxe mel para eu levar para o meu médico. São tantas boas lembranças que daria um jornal inteiro. Frei Rui era feliz e transmitia no olhar só bondade.

Filósofo, escritor, brincalhão. Um exemplo a ser seguido! Eu sinto muitas saudades desse anjo iluminado! Gratidão eterna Frei Rui Depiné!!!

Agradeço também o carinho que sempre recebi de todas as Irmãs do São Roque: Irmã Natalícia, Irmã Dorli, as saudosas Irmã Zita e Irmã Inês, entre outras que no momento não lembro os nomes!!! ❤️🙌🏻Paz e Bem!!🙏🏻🙏🏻

Frei Rui: um anjo iluminado!

Rosane Paiano e seu marido Milton

Frei Rui e Rosane na Capela São Roque em 1985

Rosane e sua filha Francielle Priscilla, que foi batizada pelo Frei Rui

Rosane quando estava em processo de recuperação da saúde. Na foto, com seu marido Milton.