Depoimento
Prof. Dr. Sylvio Pellico Netto
Conselheiro da Fundação Pró-Hansen, o Prof. Dr. Sylvio Pellico Netto é Engenheiro Florestal pela UFPR, Mestre em Manejo Florestal pela New York State University e Doutor em Biometria e Inventário Florestal pela Albert-Ludwigs-Universität Freiburg, ex-Professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e Professor Sênior da Universidade Federal do Paraná e, gentilmente, aceitou dar seu depoimento sobre o Frei Rui Guido Depiné o.f.m.
Frei Rui Depiné
Conheci o Frei Rui Depiné na Fundação Pró-Hansen. Ele era membro curador. Amigo do Prof. Ruy Miranda. Mantínhamos um contato muito bom. Nós conversávamos bastante.
Ele tinha facilidade para trazer uma palavra importante sobre as causas da comunidade que ele representava, como ser humano e líder. Como a Fundação tem a finalidade de ajudar os necessitados, principalmente os hansenianos, que são marginalizados, ele conseguia irradiar este mesmo espírito em nós.
Frei Rui entusiasmava os membros da Fundação. Era boníssimo. Tinha o apreço de todos nós.
Frei Rui pediu-me, certa vez, para conversar sobre o uso de transgênicos. O alimento transgênico é o resultado do desenvolvimento de um produto, ao qual se faz uma transformação genética visando obter uma variedade resistente às pragas. Basicamente, o processo prevê colocar um gene na soja, no milho e em outros produtos para evitar o ataque de pragas, como fungos, de bactérias e de insetos e, consequentemente, poder produzir mais.
Criou-se na sociedade uma polêmica sobre esses produtos transgênicos, afirmando-se que eles são maléficos para a população.
Frei Rui quis saber sobre o consumo dos transgênicos e perguntou, referindo-se sobre a soja, se ela deveria ser consumida ou não?
Eu falei: “Li muito sobre este assunto. Quando fui Decano de Ciências Agrárias da PUCPR, eu me inteirei sobre este assunto. Não vejo problema. Pelo o que eu pesquisei na EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e no IAPAR- Instituto Agronômico do Paraná, não há problema algum em se consumir um produto transgênico. Não há casos maléficos relatados. Não vejo motivos para preocupação. Mas, mesmo que houvesse um pequeno risco, o senhor, Frei Rui, há de convir que o mundo está aproximando-se de atingir 7 bilhões de pessoas. O que acontecerá com as pessoas que estão sendo jogadas para o nível de muita pobreza? Na Índia ou na China, mesmo no Brasil e em outros países da América Latina? Minha visão é: se a produtividade dos transgênicos possibilita aumentar a disponibilidade de alimentos, ainda que havendo um risco, é preferível tê-los para comer do que não ter nada. Eles evitam o ataque das pragas nas culturas, reduzindo perdas muito expressivas na produção agrícola.”
Ele concordou comigo e disse: “Não tinha pensado nisso”.
O Frei Rui tinha um coração muito grande, ajudou a conseguir recursos para a compra da Sede Fundação Pró-Hansen, demonstrava amor por suas causas e sempre trazia uma oração e uma mensagem estimuladora para todos nós. Ele trazia, também, as meninas para cantar, um pequeno coral que nos alegrava muito.
Ele fez com que a Fundação Pró-Hansen criasse esse rito de profissão de fé, solidariedade e humanismo.
Prof. Dr. Sylvio Pellico Netto
Frei Rui sempre trazia uma palavra de solidariedade e humanismo
Fundação Pró-Hansen