Depoimento
Nely de Souza
Quem canta reza duas vezes
Conviver com o Frei Rui, através do Coral São Francisco, foi um privilégio imensurável!
Obviamente eu já conhecia o Frei Rui desde criança, pois sempre moramos em Piraquara e ele era uma figura icônica, devido ao seu jeito particular de atuar na comunidade.
Lembro dos Ovos de Páscoa gigantescos que ele trazia todos os anos e das grandes Festas que ele promovia no São Roque, com o objetivo de arrecadar mantimentos e recursos para ajudar as famílias carentes que moravam na região.
Aos 14 anos eu passei um período no Convento das Irmãs Franciscanas de São José, em Campo Largo-PR. Lá aprendi muitas coisas, inclusive a tocar violão. Eu pensava em ser Freira. Entretanto, depois de um ano e meio, descobri que não era a minha vocação. Quando saí do Convento, fui convidada pela Irmã Eni a fazer parte do Grupo de Canto do Hospital São Roque.
Foi quando eu tive o privilégio de, durante 11 anos, conviver de maneira mais próxima com o Frei Rui. Isto ocorreu do final dos anos 90 até 2008, quando eu saí do Brasil.
A convivência com o Frei Rui foi muito positiva. Ele era uma pessoa bem peculiar. Nós, do Coral, tivemos o privilégio de irmos com ele até a sua cidade natal, Rodeio, em Santa Catarina. Ficamos na casa da família dele. Foi muito especial conhecer a família. Deu para perceber que a atitude dele realmente vinha de família. Teve uma educação maravilhosa e nasceu e cresceu num lugar maravilhoso. Lembro de um passeio em um bosque lindo que tinha perto da casa dele.
Atualmente moro na Nova Zelândia. Escolhi este País para viver devido a sua beleza e semelhança com Curitiba. Nova Zelândia é uma ilha pequena, menor que o Paraná.
Quando cheguei aqui, cantei no Coral da Igreja local. Entretanto, depois de ter minhas três filhas, ficou impossível assumir outros compromissos. Mas, quando minhas filhas crescerem, eu pretendo voltar a cantar no Coral.
Tive a oportunidade e a bênção de ter o Frei Rui como celebrante do meu casamento, na Capela São Roque, em 2012. Ele estava bem, mas já aparentava um certo cansaço.
O Frei emanava uma Luz, uma paz, que fazia qualquer um se sentir bem ao seu lado. Ele cativava as pessoas aonde quer que fosse, devido a sua luz divina ser tão forte e ativa.
Era comum irmos comer pizza depois de nos apresentarmos na celebração de alguma Missa em Curitiba. O Frei Rui gostava muito de Pizza Quatro Queijos.
Ele não via mal em ninguém, era de uma empatia e simpatia inigualável. Ele só via o lado bom das pessoas, enquanto a maioria de nós, geralmente, vê os defeitos dos outros primeiro rsrsrs......
Ele ajudou a mim e a minha família no momento em que mais precisamos, assim como ele ajudava a todos sem distinção ou julgamento. As suas palavras eram como água fresca e saciava a sede de paz, amor e conforto que aqueles, num momento de desespero, precisavam.
Dono de uma inteligência e sabedoria muito à frente daqueles com quem convivia, ele sempre se manteve humilde e disposto a ensinar os que estavam abertos aos seus ensinamentos.
No mais, esse homem não precisa de introdução. Seu legado precede qualquer biografia.
Minha linda família - 2022
O Frei Rui celebrando o meu casamento em 2012, na Capela São Roque.
Essa foto foi tirada nos Mananciais da Serra (Piraquara), num jantar onde fomos cantar. Ele não queria tirar foto rsrsrs.... Mas eu pedi pra tirar essa foto pois não tinha foto sozinha com ele, e eu estava indo embora do Brasil em alguns meses. Então, eu queria uma lembrança dele. Eu dizia que um dia ele iria virar Santo e eu poderia provar que tinha conhecido o Frei Rui.
Cantando em uma Missa
Quem canta reza duas vezes