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Depoimento

Milene Martos Chagas

Em 1999 em trabalhava em uma empresa onde as férias eram decididas com antecedência. Eu estava num consultório e vi um folheto de propaganda de uma viagem à Israel. A Agência se chamava Genesaré. O dólar na época estava baixo e era possível pagar esta viagem, mas a data não coincidia com minhas férias, já marcadas. No dia seguinte, meu chefe me perguntou se eu poderia alterar minhas férias e, com a alteração, eu pude me inscrever para esta viagem.

Partimos de Curitiba e quando chegamos em São Paulo, uma outra pessoa se integrou ao grupo. Ele estava em reunião na Província Franciscana em São Paulo e embarcou de lá. Era o Frei Rui.

Na mão trazia só uma mala pequena, dessas bem antigas, da década de 60, 70. Usava sandálias franciscanas e tinha um olhar bondoso. O Padre Afonso, responsável pela viagem, o apresentou para o grupo. Soubemos que ele vivia no Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, antigo Leprosário São Roque. Houve uma comoção por parte de todos.

Depois soubemos que ele tinha recebido essa viagem como um presente da própria Agência de Genesaré. E resistira muito em aceitar. Foram vários anos fazendo esta oferta. Ele sempre respondia: “Não preciso viajar para ver o mundo. Quando olho o Girassol no meu quintal, eu já vejo o mundo”. Mas, dessa vez, aceitou.

A viagem começou e era muita gente. Mas uma coisa me chamou atenção. Aquele Frade não tomava café da manhã nem jantava. A gente só via ele à mesa no almoço.

Um dia, ele buscava uma informação no saguão do hotel em Jerusalém e eu estava lá fumando. Perguntei como era a vida num Leprosário. Ele me contou a estória do doente que pediu que ele contasse as estrelas.

A viagem acontecia e a cada momento eu ficava mais impressionada com tudo. Todos os dias tínhamos Missa e um dia a Missa foi num barco, no meio do Lago de Genesaré. Muito emocionante esta viagem. Fui sentindo meu coração se converter mais profundamente a cada dia que passava. Quando há um encontro com Deus, a gente não tem nenhuma dúvida. Só fé.

Depois de Israel, embarcamos para Itália. Um dos locais que fomos foi Assis. Lá o Frei Rui rezou uma Missa linda. Também celebrou uma Missa muito forte e bela dentro das Catacumbas, em Roma.

Seguimos para a cidade Lanciano, onde aconteceu o milagre da Eucaristia. Uma noite, estávamos num grupo saindo para tomar um café (e fumar), numa cafeteria da cidade. Convidamos o Frei Rui e, para nossa surpresa, ele aceitou.

No caminho ele se aproximou de mim e, muito cuidadosamente, me disse: “Deus faz tudo perfeito, a natureza perfeita, muitas pessoas nascem com a saúde perfeita, e as vezes o ser humano acaba prejudicando a obra de Deus. Neste sentido queria lhe perguntar se a senhora não poderia diminuir um pouco o cigarro...”

Eu fiquei tão surpresa com a pergunta que respondi: “Frei, eu não vou diminuir o cigarro porque vou parar de fumar”. Eu fumava há muitos anos e nunca tinha pensado em parar. Mas, naquele momento, eu simplesmente resolvi parar e nunca mais fumei um cigarro na minha vida.

Digo que esta foi uma graça que recebi de Deus pelos méritos do Frei Rui. Não meus.

Quando voltamos ao Brasil passei a frequentar o São Roque. Como ainda não tinha sido crismada, fiz a catequese de adultos na Igreja Bom Jesus dos Perdões e pedi para o Frei Rui ser meu padrinho. Ele aceitou. Era um grande apoio, um pai, um conselheiro, um amigo. O melhor amigo que se podia ter.

Soube com ele e as Irmãs Franciscanas de São José, o que é fraternidade e agradeço a todos que me acolheram e me mostraram qual é o verdadeiro caminho para Deus.

Obrigada Frei Rui.

Obrigada a todos que fizeram a história do São Roque e especialmente às Irmãs que continuam um belo trabalho naquela Fraternidade. Deus seja louvado! Paz e Bem!

Capela São Roque

Frei Rui em Jerusalém

Basílica do Santo Sepulcro

Jardim Getsemani

Missa na Igreja em Emaús

Altar da Capela Franciscana Dominus Flevit, que foi construída sobre o monte onde Jesus chorou por Jerusalém (Lc 19, 41-44)

Deserto em Israel

Lanciano, Itália: dia que parei de fumar